Alirocumab, um tratamento experimental para a hipercolesterolémia, demonstrou no ensaio ODYSSEY LONG TERM uma redução de 62 por cento do LDL-C, (colesterol de lipoproteína de baixa densidade) em comparação com placebo às 24 semanas junto com terapêutica hipolipemiante máxima bem tolerada.
A Sanofi e a Regeneron Pharmaceuticals, Inc. comunicaram nesta data informação detalhada dos resultados positivos de quatro ensaios de fase 3 ODYSSEY de alirocumab em pessoas com hipercolesterolémia.
O alirocumab é um anticorpo monoclonal experimental que tem como alvo a PCSK9 (pró-proteína convertase subtilisina/quexina tipo 9). Os resultados dos quatro ensaios a decorrer, que atingiram o endpoint primário de eficácia, foram apresentados no dia 31 de agosto numa sessão Hot Line no Congresso Europeu de Cardiologia 2014, em Barcelona, Espanha.
“Nos quatro ensaios, o alirocumab mostrou reduções significativas e sustentadas no LDL-C durante o período de um ano, em associação com a terapêutica padrão com estatinas em diferentes tipos de doentes”, afirmou a Dr.ª Jennifer Robinson, Mestre em Saúde Pública, Diretora do Prevention Intervention Center, Professora dos Departamentos de Epidemiologia e Medicina, College of Public Health, na Universidade do Iowa. “Também nos sentimos encorajados pelo perfil de segurança consistente em todos os ensaios, incluindo o ODYSSEY LONG TERM, o maior ensaio de fase 3 de um inibidor de PCSK9 e com o período de seguimento mais longo registado até à data”.
Ensaio ODYSSEY LONG TERM
O ensaio ODYSSEY LONG TERM em dupla ocultação, com 2.341 doentes a decorrer, destina-se a avaliar a segurança e eficácia a longo prazo de alirocumab 150 miligramas (mg), a cada duas semanas, versus placebo em doentes com hipercolesterolémia e um risco elevado ou muito elevado de eventos cardiovasculares (CV), incluindo doentes com uma forma hereditária de colesterol elevado, conhecida como hipercolesterolémia familiar heterozigótica (HeFH, heterozygous familial hypercholesterolemia). Ambos os grupos do estudo estão a ser tratados com estatinas na dose máxima tolerada e alguns doentes estão a receber terapêuticas hipolipemiantes adicionais. Foi realizada uma análise de segurança intercalar pré-especificada quando todos os doentes atingiram um ano e, aproximadamente, 25 por cento deles atingiram os 18 meses de tratamento. Os dados essenciais apresentados incluem:
No endpoint primário de eficácia do ensaio, às 24 semanas, observou-se uma redução de 61 por cento dos níveis basais de LDL-C no grupo de alirocumab, em comparação com um aumento de 1 por cento no grupo de placebo (redução de 62 por cento no grupo de alirocumab comparado com placebo), p<0,0001.
Às 52 semanas, observou-se uma redução de 57 por cento dos níveis basais de LDL-C no grupo de alirocumab, em comparação com um aumento de 4 por cento no grupo de placebo (redução de 61 por cento no grupo de alirocumab comparado com placebo), p<0,0001. 81 por cento dos doentes no grupo de alirocumab atingiram o objetivo de níveis de LDL-C pré-especificado (70 miligramas/decilitros [mg/dl] ou 100 mg/dl dependendo do risco de eventos CV na situação basal do doente) em comparação com 9 por cento no grupo de placebo (p<0,0001).
Os efeitos adversos mais comuns (≥5 por cento dos doentes) foram a nasofaringite (13 por cento com alirocumab; 13 por cento com placebo), as infeções do trato respiratório superior (7 por cento com alirocumab; 8 por cento com placebo) e reações no local de injeção (6 por cento com alirocumab; 4 por cento com placebo).
Numa análise de segurança post-hoc, observou-se uma taxa de eventos CV major inferior (morte cardíaca, enfarte do miocárdio, AVC e angina instável exigindo hospitalização) no grupo de alirocumab em comparação com placebo (1,4 por cento comparados com 3,0 por cento, valor p nominal <0,01). Estes efeitos CV compõem o endpoint primário composto do ensaio ODYSSEY OUTCOMES com 18.000 doentes ainda a decorrer, e que avalia prospectivamente o potencial de alirocumab para demonstrar os benefícios CV.
Nesta data, também foram apresentados três ensaios adicionais (ODYSSEY COMBO II, FH I e FH II).
Nestes três ensaios, os doentes tratados com alirocumab receberam uma dose inicial de alirocumab 75 mg a cada duas semanas, aumentando para 150 mg, se necessário, para atingir os níveis de LDL-C pré-especificados. As doses de 75 mg e de 150 mg de alirocumab foram auto-administradas numa injeção única de um mililitro (ml).
“Na qualidade de médicos, muitas vezes iniciamos o tratamento dos doentes com uma dose mais baixa de um medicamento e apenas a aumentamos se for necessário. Nestes ensaios, a maioria dos doentes que começou com uma dose de 75 mg de alirocumab conseguiu atingir os objetivos de LDL-C alvo mantendo sempre a dose inicial”, afirmou o Dr. Christopher Cannon, Professor de Medicina da Harvard Medical School.
Ensaio ODYSSEY COMBO II
O ensaio ODYSSEY COMBO II em dupla ocultação, com 720 doentes, destina-se a avaliar a segurança e eficácia de alirocumab comparado com ezetimibe em doentes com hipercolesterolémia e com elevado risco de eventos CV, e que na situação basal apresentavam uma redução de LDL-C inadequada apesar da terapêutica com estatinas na dose máxima tolerada. Os dados essenciais apresentados incluem:
No endpoint primário do ensaio, às 24 semanas, observou-se uma redução de 51 por cento dos níveis basais de LDL-C no grupo de alirocumab em comparação com uma redução de 21 por cento no grupo de ezetimibe (redução de 30 por cento no grupo de alirocumab comparado com o grupo de ezetimibe), p<0,0001.
Às 52 semanas, observou-se uma redução de 50 por cento dos níveis basais de LDL-C no grupo de alirocumab em comparação com uma redução de 18 por cento no grupo de ezetimibe (redução de 32 por cento no grupo de alirocumab comparado com o grupo de ezetimibe), p<0,0001.
77 por cento dos doentes no grupo de alirocumab atingiram um nível de LDL-C de 70 mg/dl às 24 semanas. Aproximadamente 80 por cento dos doentes no grupo de alirocumab permaneceram na dose inicial de alirocumab 75 mg. Os efeitos adversos mais comuns (superior ou igual a 5 por cento dos doentes) foram as infeções do trato respiratório superior (6,5 por cento com alirocumab; 6 por cento com ezetimibe), overdose acidental (6 por cento com alirocumab; 7 por cento com ezetimibe), tonturas (5 por cento com alirocumab; 5 por cento com ezetimibe) e mialgia (4 por cento com alirocumab; 5 por cento com ezetimibe).
Ensaios ODYSSEY FH I e FH II
Os ensaios ODYSSEY FH I e FH II incluíram um total de 738 doentes com HeFH e compararam o alirocumab a placebo. Todos os doentes estão com terapêutica de estatinas de dose máxima tolerada e a maioria também recebe ezetimibe. Apesar de receberem este nível elevado de terapêutica de fundo, os doentes nestes estudos tiveram níveis de LDL-C médios de 145 mg/dl (FH I) e 134 mg/dl (FH II). Os dados essenciais apresentados hoje para FH I e FH II incluem:
No endpoint primário dos ensaios, às 24 semanas, observou-se uma redução de 49 por cento dos níveis basais de LDL-C em ambos os ensaios FH I e FH II dos grupos de alirocumab em comparação com um aumento de 9 por cento no ensaio FH I e 3 por cento no ensaio FH II nos grupos de placebo, (redução de 58 e 51 comparado com placebo), p<0,0001.
Às 52 semanas, no ensaio FH I, observou-se uma redução de 47 por cento desde os níveis basais e no ensaio FH II, uma redução de 50 por cento nos grupos de alirocumab em comparação com um aumento de 9 e 8 por cento nos grupos de placebo, respetivamente (redução de 56 e 58 por cento em comparação com placebo), p<0,0001.
72 por cento dos doentes tratados com alirocumab no ensaio FH I e 81 por cento dos doentes tratados com alirocumab no ensaio FH II atingiram o objetivo de LDL-C pré-especificado (70 mg/dl ou 100 mg/dl) às 24 semanas em comparação com 2 e 11 por cento nos grupos de placebo, respetivamente (p<0,0001).
Aproximadamente 50 por cento dos doentes nos grupos de alirocumab permaneceram na dose de 75 mg. Nos dados agrupados de ambos os ensaios, os efeitos adversos mais comuns (superior ou igual a 5 por cento dos doentes) foram as reações no local da injeção (11,5 por cento com alirocumab; 9 por cento com placebo), a nasofaringite (10 por cento com alirocumab; 11 por cento com placebo), a gripe (9 por cento com alirocumab; 6 por cento com placebo) e dores de cabeça (5,5 por cento com alirocumab; 7 por cento com placebo).
“Os doentes com hipercolesterolémia familiar heterozigótica têm muitas vezes níveis elevados de LDL-C apesar do tratamento com estatinas e outras opões”, afirmou o Dr. Michel Farnier, doutorado pela Point Medical, Dijon, em França. “Embora a grande maioria dos doentes nos ensaios ODYSSEY FH I e FH II apresentasse níveis de LDL-C elevados na situação basal, pelo menos 70 por cento dos doentes tratados com alirocumab atingiram os objetivos de tratamento”.
Os quatro ensaios ODYSSEY apresentados, junto com os resultados de outros seis estudos em fase 3, englobam mais de 5.000 doentes estudados em ensaios em dupla ocultação durante 24 e 104 semanas. A Sanofi e a Regeneron preveem submeter os dossiers regulamentares do alirocumab nos EUA e UE em finais de 2014. Nos EUA, as empresas tencionam utilizar um Voucher de Revisão Prioritária para obter o estatuto de revisão prioritária na submissão regulamentar do alirocumab.
Sobre da Sanofi
Sanofi, líder em cuidados de saúde globais integrados, investiga, desenvolve e comercializa soluções terapêuticas, centradas nas necessidades dos doentes. A Sanofi é uma companhia da área da saúde que conta com sete plataformas de crescimento: tratamento da diabetes, vacinas humanas, medicamentos inovadores, consumer healthcare, mercados emergentes, saúde animal e a nova Genzyme. A Sanofi está cotada em Paris (EURONEXT: SAN) e em Nova Iorque (NYSE: SNY).
Sobre a Regeneron Pharmaceuticals, Inc.
A Regeneron é uma empresa líder de biofarmacêutica com base na ciência sediada em Tarrytown, Nova Iorque, que investiga, desenvolve e comercializa medicamentos para o tratamento de doenças graves. A Regeneron comercializa medicamentos para doenças oculares, cancro colo-rectal e uma doença inflamatória rara e tem produtos candidatos em desenvolvimento, em outras áreas de necessidades médicas não satisfeitas, incluindo hipercolesterolémia, oncologia, artrite reumatóide, asma e dermatite atópica.


















