As pessoas com asma não controlada em Portugal apresentam uma probabilidade cerca de cinco vezes superior de recorrer a consultas não programadas nos cuidados de saúde primários, comparativamente aos doentes com a doença controlada (22,1% vs 4,7%)1, revelam os novos dados do Estudo nacional EPI-ASTHMA, que evidenciam o impacto significativo da doença não controlada tanto no sistema de saúde como na qualidade de vida1. A análise aponta ainda que mais de um terço dos doentes não tem qualquer medicação prescrita para a doença. O alerta é dado no âmbito do Dia Mundial da Asma, que se celebra a 5 de maio.
O Estudo EPI-ASTHMA é um estudo observacional de base populacional, realizado a nível nacional em 38 unidades de cuidados de saúde primários, que analisou a realidade da asma na população adulta em Portugal, recorrendo a dados de registos de saúde eletrónicos e à avaliação do controlo da doença através de instrumentos validados, nomeadamente através do Teste de Controlo da Asma e Rinite Alérgica (CARAT).1,2
De acordo com os resultados, apenas 19% dos doentes apresentam um tratamento adequado, enquanto 46% têm terapêutica inadequada e 35% não fazem qualquer medicação para a asma, relevando uma realidade marcada pelo sub-tratamento generalizado da doença1. Este cenário ajuda a explicar por que motivo cerca de 68% dos doentes apresentam asma não controlada, independentemente do grau de gravidade2.
O impacto desta realidade faz-se sentir de forma direta no dia a dia dos doentes e na pressão sobre o sistema de saúde. Paralelamente, mais de metade reporta impacto na produtividade (54,3%) e mais de um terço refere impacto na vida quotidiana (36,1%), valores significativamente superiores aos observados em doentes com a doença controlada1.
Estima-se que a asma afete cerca de 7,1% da população adulta em Portugal, o que corresponde a aproximadamente 700.000 pessoas, sendo uma doença crónica com graus variáveis de gravidade, cujo controlo adequado permite reduzir exacerbações, melhorar a qualidade de vida e diminuir a necessidade de utilização de cuidados de saúde3.
“Estes dados confirmam aquilo que nos é transmitido: muitos doentes continuam a viver com sintomas diários, limitações e exacerbações evitáveis, porque a doença não está devidamente controlada. É fundamental reforçar o diagnóstico atempado, o seu acompanhamento e garantir que cada doente tem acesso ao tratamento mais adequado à sua condição”, afirma Ana Gonçalves, Presidente da Associação Asma Grave (AAG).
Num momento em que se assinala o Dia Mundial da Asma, estes dados reforçam a urgência de melhorar o controlo da doença em Portugal, através de uma abordagem mais proativa, centrada no diagnóstico atempado, na revisão regular da adequação do tratamento e na sua otimização de acordo com as recomendações internacionais. Garantir que a asma está controlada não é apenas uma questão clínica, é determinante para a qualidade de vida dos doentes e para a sustentabilidade do sistema de saúde.
“O impacto e sintomas da asma são ainda muitas vezes subvalorizados. Se a doença não estiver controlada poderá ser altamente incapacitante para quem a vive diariamente na primeira pessoa. Apelo às pessoas que vivem com asma, familiares e cuidadores para que estejam atentos e procurem o seu médico assistente”, reforça Ana Gonçalves, Presidente da Associação de Asma Grave (AAG).


















