Apenas 34% dos jovens portugueses reconhecem a existência de rastreio para o cancro do colo do útero (papanicolau) e 32% para o cancro da próstata (toque retal).
No caso da colonoscopia, usada no rastreio do cancro colorretal, a percentagem desce para os 12%. Já a mamografia é o único rastreio para o cancro reconhecido pela maioria (77%).
Esta é uma das principais conclusões do inquérito sobre as perceções dos jovens portugueses relativamente ao cancro, desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia, no âmbito do Simpósio Nacional SPO, que espera reunir mais de 400 especialistas na Figueira da Foz, nos próximos dias.
«A falta de conhecimento sobre rastreios é preocupante, uma vez que estes são fundamentais para detetar precocemente o Cancro, ainda antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Sabemos que quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores são as probabilidades de cura. Os programas de rastreio organizado não têm ainda uma cobertura nacional de 100%, mas é importante que os jovens de hoje, adultos de amanhã, reconheçam aqueles que existem, para potenciar a adesão aos mesmos», afirma Gabriela Sousa, presidente da SPO.
O inquérito revela ainda que cerca de 93% dos jovens não consideram o diagnóstico de cancro uma sentença de morte e 69% acreditam que o cancro pode ser prevenido.
O tabaco é o principal fator de risco associado à doença oncológica para 80% dos inquiridos. No entanto, são poucos os inquiridos que identificam outros fatores importantes, como a obesidade e o sedentarismo: apenas 16% e 10%, respetivamente.
A análise constatou ainda que quase metade dos jovens inquiridos (44%) já procurou informação sobre doenças oncológicas por iniciativa própria, maioritariamente na Internet (80%). Questionados sobre que instituições devem ter responsabilidade em informar os jovens sobre a doença oncológica, a maioria dos inquiridos (72%) considera que essa responsabilidade cabe sobretudo à Escola. Só depois surge o Governo e a Direção-Geral da Saúde (62%) e as instituições de saúde (58%).
Dado o mote do Simpósio Nacional SPO 2016, “Reflexões sobre o Futuro”, a SPO considerou pertinente interrogar os mais jovens para compreender quais as suas perceções sobre Oncologia.
«Sendo os jovens os adultos de amanhã e o Cancro uma doença com incidência crescente, quisemos perceber o grau de conhecimento da nova geração para refletir sobre a necessidade de intervir mais ao nível da sensibilização. Porque uma população informada é uma população mais desperta para o problema e com um comportamento mais preventivo», explica Gabriela Sousa, presidente da SPO.
O inquérito foi aplicado a um universo de 254 indivíduos, com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos, residentes em Portugal Continental. Os dados foram recolhidos entre os dias 3 e 6 de novembro de 2016, através de entrevista telefónica.
Para a realização deste inquérito aos jovens portugueses, a SPO contou com o apoio da Janssen, companhia farmacêutica do grupo Johnson & Johnson.


















