O Consensus, grupo de trabalho composto por reconhecidos especialistas em doenças cardiovasculares, concluiu que a criação de programas com equipas dinâmicas e multidisciplinares, com procedimentos bem definidos e estratégias para a adesão terapêutica, é o primeiro passo para assegurar o controlo da diabetes nas Unidades de Saúde Familiar.
Estas conclusões foram apresentadas durante o Simpósio dedicado à nova abordagem terapêutica da Dislipidemia Aterogénica (DA) no doente diabético.
O Consensus é um grupo de trabalho que reúne reconhecidos especialistas em doenças cardiovasculares e lípidos de mais de uma dezena de países europeus e foi criado, com o apoio da Mylan, para aprofundar a fisiopatologia da DA e o seu impacto no risco cardiovascular.
Como parte da missão de aumentar o acesso a tratamentos e do compromisso de fornecer melhores cuidados de saúde para um mundo melhor, a Mylan apoia 12 especialistas europeus em doenças cardiovasculares, que se uniram para chegar a um CONSENSUS em relação à DA.
Os cardiologistas portugueses Carlos Aguiar e Alberto Mello e Silva são dois dos especialistas que fazem parte do grupo criado para aprofundar a fisiopatologia da Dislipidemia Aterogénica e o seu impacto nos riscos cardiovasculares, assim como encontrar um consenso na melhor forma de prevenção, diagnóstico e criar uma nova abordagem terapêutica num campo ainda pouco conhecido do público geral.
A Dislipidemia, anomalias quantitativas e/ou qualitativas dos lípidos no sangue, é um dos mais importantes fatores de risco da aterosclerose, doença que afeta predominantemente as artérias de médio calibre e que se caracteriza pela alteração da dilatação vascular, e que é a principal causa de morte nos países desenvolvidos, incluindo Portugal. Qualquer tipo de Dislipidemia representa um importante fator de risco cardiovascular.
Atualmente, o impacto da aterosclerose no diabético não é uma novidade para os Cuidados de Saúde Primários. O seu diagnóstico, tratamento e acompanhamento está sob a responsabilidade do médico de família que contacta diariamente com a realidade portuguesa na prática clínica.
Ano após ano, verifica-se um aumento alarmante na prevalência mundial da diabetes, somando no presente cerca de 3 novos casos a cada 10 segundos. Com alterações de estilo de vida, como o sedentarismo e a alimentação pouco saudável, prevê-se ainda um agravamento na prevalência da diabetes nos próximos 20 anos, sendo esta considerada já por muitos como a epidemia do século XXI.
Em Portugal, o aumento também foi sistemático. Dados mais recentes do Observatório Nacional da Diabetes apontam para uma prevalência de cerca de 13,1% na população portuguesa, dos quais apenas 7,4% estarão diagnosticados. Prevê-se, assim, que 40% dos doentes estejam ainda por diagnosticar e, como tal, por tratar.
É de notar ainda a prevalência da hiperglicemia intermédia ou pré-diabetes, de 27,2% nos doentes em idade adulta, o que perfaz um total de cerca de 3 milhões de indivíduos com diabetes ou hiperglicemia intermédia.
“Perante esta realidade, os médicos de Medicina Geral e Familiar assumem um papel cada vez mais importante nos Cuidados de Saúde Primários”, como afirma Pedro Carrilho, Médico de Medicina Geral e Familiar na USF Magnólia, Santo António dos Cavaleiros. “É necessário formar médicos multidisciplinares, seguros e capazes de enfrentar os novos desafios da diabetes, que possam intervir precocemente na doença, afinal, é o médico de família que acompanha o doente ao longo da vida, nas suas patologias e atividades clínicas”, reforça Pedro Carrilho


















