Já está disponível, nas livrarias portuguesas, o livro “Crescer e Viver Diferente”, uma obra da autoria de Carlos Nunes Filipe que explica as perturbações do desenvolvimento mais prevalentes, o seu diagnóstico e a importância da intervenção terapêutica nas crianças e, sobretudo, em adolescentes e adultos. O livro será apresentado hoje, pelas 20:30, na FNAC do Chiado, em Lisboa.
De acordo com Carlos Filipe, autor do livro e simultaneamente psiquiatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa: “este livro foca essencialmente a forma como as perturbações do desenvolvimento condicionam o quotidiano dos doentes e dos seus cuidadores, nomeadamente pais, professores, psicólogos ou médicos”.
E acrescenta: “Pela minha experiência clínica, apresento várias estratégias e exemplos ao longo do livro que mostram como estas pessoas, que sofrem de algum tipo de perturbação do desenvolvimento, enfrentam diversas dificuldades diariamente ao nível da linguagem, mobilidade, aprendizagem, autonomia e vida independente”.
Explica Carlos Nunes Filipe, autor do livro: “O desenvolvimento do sistema nervoso é um processo complexo para o qual contribuem múltiplos fatores, uns de caráter genético, outros biológicos e sociais. A eventual alteração de alguns destes fatores ou o desequilíbrio nas relações existentes entre eles, podem levar à manifestação de uma ou mais perturbações do desenvolvimento que, normalmente, têm o seu aparecimento ainda antes do nascimento e as suas consequências prolongam-se por toda a vida”.
O livro vai focar-se na perturbação do espectro do autismo, incluindo a síndrome de Asperger, e dedica um longo capítulo, ao tema da perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), em particular no adulto, um problema ainda pouco explorado em Portugal e que se sabe que afeta cerca de 1 a 2 por cento da população na idade adulta, dados que incluem pessoas que tendo sido crianças com PHDA não foram, no seu tempo, diagnosticados.
“A PHDA é caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas de desatenção, impulsividade e agitação motora claramente exagerados atendendo à idade e à circunstância social. Sendo que se manifesta desde a infância, o diagnóstico não pode ser feito tendo somente em consideração os comportamentos e as queixas atuais mas toda a história de vida da pessoa”, refere.
Carlos Nunes Filipe nasceu em 1956 e é licenciado em medicina, com especialidade em Psiquiatria e grau de competência em Neurofisiologia Clínica. Doutorado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, desenvolveu trabalho de investigação na área de Fisiologia e da Fisiopatologia do Sistema Nervoso Central, na Holanda e em Portugal. É professor auxiliar da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.


















