A remoção do útero por via vaginal é o procedimento com a taxa mais baixa de complicações, menor tempo de internamento, custos mais reduzidos e um regresso mais rápido e com melhor qualidade à atividade profissional.
António Fonseca, coordenador da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Lusíadas Lisboa revela que apenas cerca de 20 por cento das histerectomias são realizadas através desta via.
“A maioria das histerectomias, aproximadamente 80 por cento, são realizadas com recurso a um corte aberto na região inferior do abdómen. A utilização deste procedimento é justificado pelo menor contacto e experiência desta técnica pelos médicos ginecologistas, nomeadamente na remoção do útero em mulheres sem prolapso uterino”, alerta António Fonseca.
E acrescenta: “Apesar da evidência dos dados que revelam todos os benefícios da realização da histerectomia por via vaginal, assistida ou não por laparoscopia, em detrimento do corte aberto, este procedimento continua a representar uma taxa de realização pouco satisfatória para o panorama da Saúde em Portugal”.
O especialista revela que “as razões para o baixo número de atos efetuados são múltiplas, das quais se salientam o facto de ser uma técnica com grau de dificuldade acrescido, nomeadamente quando a histerectomia vaginal não está associada a um prolapso genital; desconhecimento por parte das mulheres e insuficiente investimento na formação”.
A histerectomia é um procedimento cirúrgico que consiste na remoção do útero. Pode ser feito por via vaginal, abdominal (“barriga aberta”), laparoscópica e por via vaginal assistida por laparoscopia/robótica. Esta cirurgia está indicada para o tratamento do cancro do colo do útero, miomas uterinos, endometriose, prolapso uterino, sangramento vaginal anormal e dor pélvica crónica.


















