Lisboa foi palco da cimeira europeia “Tackling Infertility”, que juntou representantes de 11 países e especialistas internacionais para discutir respostas à queda da natalidade e à infertilidade, defendendo que a fertilidade deve passar a ser tratada como uma prioridade pública, social e económica na Europa.
O encontro, promovido pela Merck com o apoio da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, da Subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos e da Associação Portuguesa de Fertilidade, resultou na aprovação de um conjunto de medidas prioritárias para reforçar as condições de parentalidade nos países europeus.
Entre as principais conclusões estão propostas nos eixos da literacia, trabalho e acesso. Os participantes defenderam o reforço da educação sobre saúde reprodutiva nas escolas, programas de rastreio da fertilidade, bem como políticas laborais mais flexíveis, incluindo licenças parentais universais e totalmente remuneradas. Foi ainda sublinhada a necessidade de garantir o acesso equitativo a tratamentos de fertilidade e de criar incentivos que apoiem as famílias.
Um inquérito apresentado durante a cimeira, realizado em 14 países, revelou que a maioria das pessoas quer ter filhos, mas enfrenta barreiras económicas, profissionais e de acesso à saúde. Custos de vida, habitação e dificuldades no acesso a cuidados foram apontados como os principais obstáculos.
No painel europeu, especialistas como Luca Gianaroli, Mónica Ferro e Marta Temido alertaram para a necessidade de uma resposta coordenada a nível europeu, defendendo maior investimento em investigação, prevenção e políticas públicas integradas. Foi também reforçada a ideia de que os tratamentos de fertilidade devem ser encarados como parte essencial do acesso universal à saúde.
Em Portugal, responsáveis do setor da saúde destacaram a preparação de um novo Programa Nacional para a Saúde Sexual e Reprodutiva, bem como a atualização do modelo de planeamento familiar, com a criação de uma consulta integrada nesta área. Foi ainda sublinhada a importância da literacia em saúde e do papel dos cuidados de saúde primários na resposta aos desafios da fertilidade.
Ao longo da cimeira, ficou a mensagem de que a resposta à crise demográfica europeia exige políticas consistentes, maior acesso a cuidados de saúde, informação credível e condições reais para que as famílias possam concretizar os seus projetos de parentalidade sem barreiras económicas ou sociais.

















