A Fundação Grünenthal acaba de distinguir um grupo de investigadores portugueses pelos trabalhos desenvolvidos na área de estudo da dor, em Portugal. A cerimónia de entrega dos prémios irá decorrer no dia 1 de julho, pelas 17 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
O Prémio de Investigação Básica, avaliado em 7.500 euros, foi atribuído ao trabalho “Modulação dopaminérgica na dor neuropática: ação dos recetores D2/D3 de dopamina na reversão de défices de memória espacial”, da autoria de Hélder Cruz, Margarida Dourado, Clara Monteiro, Mariana Matos e Vasco Galhardo, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Instituto de Biologia Molecular e Celular (FMUP/IBMC).
“Esta investigação teve como objetivo avaliar se a prevalência de síndromes dolorosos pode contribuir para uma deficiente transmissão dopaminérgica, e se essas perturbações podem afetar a normal codificação de memórias de curto prazo no hipocampo contribuindo para uma degradação da performance cognitiva”, explica Hélder Cruz, investigador principal do estudo vencedor na categoria de Investigação Básica.
O galardão do Prémio de Investigação Clínica, também de 7.500 euros, foi entregue ao trabalho “Dor em Doença de Alzheimer: pesquisa de um biomarcador para solucionar o problema da sua subavaliação” da autoria de Miguel Castanho e Sónia Sá Santos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Isaura Tavares da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e Sara Matos Santos do Serviço de Anestesiologia do Hospital de Cascais.
“Esta investigação teve como objetivo contribuir para o estudo da eventual subestimação da Dor e consequente sofrimento em pacientes de Doença de Alzheimer. É necessário ter presente que um paciente com esta doença não tem a mesma facilidade em exprimir a sua dor que um indivíduo saudável. Menos queixas nestes casos não significam necessariamente menos sofrimento; pode significar apenas menos capacidade de expressão da Dor. É urgente conseguir um método de medir suscetibilidade à Dor que não passe apenas pela queixa do doente”, refere Miguel Castanho, investigador principal do estudo vencedor na categoria de Investigação Clínic
A Fundação Grünenthal atribuiu ainda uma menção honrosa, na vertente de investigação clínica, ao trabalho “Lombalgia crónica: consumo de analgésicos e outros modeladores da dor na população adulta portuguesa – resultados de um estudo de base populacional (EpiReumaPt) ”, da autoria de Nélia Gouveia, membro da Equipa EpiReumaPt/ Sociedade Portuguesa de Reumatologia e do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da NOVA Medical School/Universidade Nova de Lisboa.
“Este estudo concluiu que a prevalência da lombalgia crónica ativa na população portuguesa é elevada (10.4%). A média de idades dos indivíduos que autoreportaram lombalgia crónica ativa foi 58.9 anos, sendo a maioria mulheres (71.4%). O reporte de sintomas de ansiedade e depressão nos indivíduos com dor lombar crónica ativa foram muito frequentes (27.7% e 21.8%, respetivamente) e a diferença foi significativa, quando comparados com o resto da população”, explica a investigadora Nélia Gouveia.
Os Prémios Grünenthal Dor contemplam um valor pecuniário total de €15.000, igualmente distribuídos pelo Prémio de Investigação Básica e pelo Prémio de Investigação Clínica. Criado pela Fundação Grünenthal em 1999, constituem o prémio de mais alto valor anualmente distribuído em Portugal, no âmbito da investigação em dor.

















