Perder a capacidade de comunicar continua a significar, em muitos casos, perder também acesso a uma resposta atempada, acompanhamento continuado e apoio ajustado. Dez anos depois da criação do IPAFASIA – Instituto Português da Afasia, a afasia continua a ser uma realidade subvalorizada em Portugal, com falhas persistentes na reabilitação, no apoio psicológico e na informação disponibilizada às famílias.
O Instituto assinala, em 2026, dez anos de atividade dedicada ao apoio a pessoas com afasia, familiares e cuidadores. Mas este marco não surge num contexto de missão cumprida. Surge num país onde esta perturbação adquirida da linguagem e da comunicação continua demasiado ausente das políticas, dos serviços e do debate público. Estima-se que cerca de 40 mil pessoas vivam com afasia em Portugal.
O AVC é um dos principais responsáveis pelos casos de afasia, mas não esgota a realidade desta condição. Reduzi-la a uma consequência lateral de um evento clínico é continuar a ignorar a sua verdadeira dimensão humana, social e funcional.
A afasia pode comprometer a capacidade de falar, compreender, ler e escrever, com impacto direto na autonomia, na participação social e na qualidade de vida. Apesar disso, continua muitas vezes a ser tratada como um problema secundário, quando na prática altera profundamente a vida quotidiana das pessoas afetadas e das suas famílias. A afasia não afeta a inteligência, mas interfere com a capacidade de usar e compreender a linguagem, o que faz com que muitas pessoas sejam erradamente percecionadas como menos capazes. Desmistificar esta ideia continua a ser essencial para combater o preconceito, reduzir a exclusão e promover uma resposta mais digna, informada e ajustada à realidade de quem vive com afasia.
Emilia Clarke, Aubrey Plaza, Bruce Willis, Wendy Williams, Sharon Stone, Mark McEwen e Randy Travis são exemplos de figuras públicas que, em diferentes contextos, mostraram que a afasia pode afetar qualquer pessoa, a qualquer momento.
“Dez anos depois, continuamos a confrontar-nos com o mesmo problema: a afasia continua a ser pouco reconhecida e a resposta continua longe do que muitas pessoas e famílias precisam”, afirma Paula Valente, Diretora Executiva do IPAFASIA e Terapeuta da Fala, alertando “a afasia não pode continuar a ser invisível nas políticas, nos serviços e na comunidade. O problema é demasiado sério para continuar a ser tratado como periférico”.
Para o IPAFASIA, estes dez anos não representam apenas um marco institucional. Representam a persistência de uma necessidade que continua por resolver. Ao longo desta década, a associação tem procurado responder a essa falha através de apoio terapêutico, bolsas de acesso, grupos dirigidos a pessoas com afasia e cuidadores, recursos acessíveis, formação de profissionais e ações de sensibilização pública, mas não chega para as necessidades reais. É preciso mudar políticas públicas e educar a sociedade.
“Todos podemos, um dia, ficar sem voz. Os testemunhos de figuras públicas como Emilia Clarke, Aubrey Plaza, Bruce Willis, Wendy Williams, Sharon Stone, Mark McEwen e Randy Travis mostram precisamente isso. A afasia pode afetar qualquer vida e continua a exigir um esforço urgente de desmistificação, porque não retira inteligência, valor nem dignidade a quem a enfrenta”, conclui Paula Valente.
SOBRE A IPAFASIA
A IPAFASIA é uma associação sem fins lucrativos dedicada ao apoio a pessoas com afasia e aos seus cuidadores, promovendo a inclusão, o acesso a terapias especializadas e a sensibilização sobre esta condição.
Através de projetos inovadores, a associação reforça o seu compromisso no apoio aos doentes e na promoção da investigação. Pretende que as respostas terapêuticas sejam acessíveis a todas as pessoas com afasia, independentemente das suas possibilidades financeiras. Para tal, o IPA atribui bolsas, ajustadas às possibilidades económicas de cada beneficiário. Apenas 20% das pessoas com afasia que beneficiam das terapias do IPA pagam o valor tabelado, sendo que as restantes beneficiam de bolsas. Os resultados da consignação de IRS garantem existência destas bolsas e de tantos outros recursos e ações gratuitas.

















