O parto é um dos principais fatores de risco que contribui para o aparecimento de incontinência urinária após a maternidade, um problema frequente que pode ser prevenido e tratado, de forma a evitar os desconfortos pessoais e sociais consequentes.
“Existem vários fatores que contribuem para o aparecimento da incontinência urinária no pós-parto, podendo o próprio parto ser um deles. No entanto, o número de partos já realizados, o peso excessivo do recém-nascido (superior a quatro quilogramas), a utilização de fórceps, um período prolongado do trabalho de parto e a obesidade na mulher grávida também são fatores a considerar e que podem provocar o problema”, refere Joaquim Gonçalves, coordenador da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Lusíadas Porto.
“A causa da incontinência urinária depois de um parto está relacionada com algumas lesões por este provocadas, como é o caso de lesões nervosas, vasculares e/ou musculares nas estruturas da pelve feminina ou no trato urinário”, acrescenta.
“Este é um problema que afeta muitas mulheres mas é comum desaparecer espontaneamente. Quando os sintomas permanecem por meses ou anos após o parto pode ser necessário iniciar um programa de reabilitação constituído por exercícios perineais, um tratamento que poderá ser bastante eficaz em mulheres sintomáticas. Para aumentar a eficácia e reduzir o risco de incontinência urinária, até costumamos aconselhar este programa antes e depois do parto”, conclui.
A incontinência urinária é uma situação patológica que se traduz numa incapacidade de armazenar e controlar a saída da urina. As perdas involuntárias de urina podem ser diversificadas, dependendo da gravidade do problema, podendo ser ligeiras e ocasionais ou abundantes e regulares. De acordo com dados da Associação Portuguesa de Urologia, em Portugal existem 600 mil pessoas a sofrer de incontinência urinária.



















