O aumento súbito de casos de malária no fim de semana esgotou a disponibilidade de camas no hospital da Praia, disse hoje a delegada de Saúde, adiantando que há doentes a ser internados em outros serviços.
“Quanto ao Hospital, realmente durante o fim de semana esteve mais complicado em relação à disponibilidade de camas. Abriu-se um novo serviço onde estão a ser internados todos os casos de paludismo, mas ainda assim tiveram que se colocar casos em outros serviços”, disse Ulardina Furtado, à agência Lusa.
A médica recordou que há três semanas a capital cabo-verdiana registava uma média de 1 ou 2 casos por dia de paludismo (malária), mas desde sexta-feira passada os registos aumentaram repentinamente para uma média de 8-9 casos por dia.
Ulardina Furtado avançou que o pico foi no dia 20 de outubro, sexta-feira, com 14 casos registados, em que aos bairros mais afetados continuam a ser Várzea, Achada Santo António e Achadinha e “casos salpicados” em Lém-Ferreira, Castelão, Paiol, Vila Nova e Eugénio Lima.
A delegada de Saúde indicou que até hoje o país registou 372 casos de paludismo, entre autóctones e importados, e que neste momento estão 29 doentes internados no Hospital central da Praia, onde se regista a quase totalidade dos casos e onde a doença já é tratada como uma epidemia pelas autoridades.
Segundo o mais recente relatório epidemiológico do Serviço de Vigilância Integrada de Resposta a Epidemias (SVIRE), até 15 de outubro tinham sido registados em Cabo Verde 316 casos de malária, entre autóctones e importados, dois dos quais resultaram em morte.
O mesmo relatório indica que o número de diagnósticos caiu no mês de outubro relativamente a setembro, o pior mês do ano com 132 registos.
Questionada sobre os motivos para o aumento repentino de casos na última semana, Ulardina Furtado adiantou que, apesar de todos os esforços que estão a ser feitos pelo Ministério da Saúde, continuam a existir focos de mosquitos na capital cabo-verdiana.
“E as medidas que devem ser tomadas para a eliminação desses focos ainda não são sistemáticas e nem tomadas de forma musculada”, sustentou à Lusa.
Em setembro, o Governo cabo-verdiano aprovou uma verba de emergência de 526 mil euros para reforçar as ações no combate à malária no país.
A delegada indicou que um grande problema que ainda persiste é uma vala em frente ao Auditório Nacional, na Várzea, cheia de água, com resíduos sólidos e muita vegetação, tendo a diretora de Saneamento da Praia avançado que não há verba para limpeza da área.
“É complicado, pois mesmo que a saúde atue nessa área o resultado nunca vai ser 100% completo”, lamentou a médica, admitindo que o calor que se faz sentir na Praia nesta altura também “influencia muito”, já que as pessoas estão mais expostas à picada do mosquito vetor que transmite a doença.
Para ultrapassar esses constrangimentos, a delegada garantiu à Lusa que o pessoal do terreno será reforçado, mas voltou a apelar a participação de todos no combate ao paludismo.
“A responsabilidade da saúde e da luta contra os mosquitos deve ser compartilhada entre todos os sectores, a questão ambiental deve ser vista e assumida como o ponto fulcral desta luta”, apontou.
O Governo quer eliminar a doença do país até 2020, mas para isso espera contar com a colaboração de todos, desde Câmaras Municipais, ONG e de toda a população cabo-verdiana.
Em janeiro, Cabo Verde foi distinguido pela Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) com o prémio Excelência 2017, pelos resultados alcançados no combate à doença, sendo o único país africano em fase de pré-eliminação.


















