A doença de refluxo gastro-esofágico (DRGE) é uma situação frequente nos países ocidentais. Atualmente, estima-se que a doença afete entre 10 a 20% da população adulta, mas o número de casos entre os jovens tem vindo também a aumentar significativamente nos últimos anos.
Os mecanismos da DRGE, as suas implicações, as novas orientações e as mais recentes novidades no que respeita ao diagnóstico e tratamento foram debatidas na conferência “Doença do Refluxo Gastro-Esofágico Refratária: O Que Fazer”, dirigida pelo gastrenterologista Luís Novais e integrada no painel “Vozes da Razão II”, no âmbito da Semana Digestiva 2015.
“Tem-se verificado, nas últimas décadas, um aumento da incidência desta doença. Esta situação deve-se, em muito, à alteração dos hábitos alimentares com refeições volumosas, muito ricas em gorduras, ao consumo de café, de bebidas alcoólicas em excesso e ao tabaco. Consequentemente, também ao aumento da incidência da obesidade”, refere o especialista.
E acrescenta: “Rouquidão, pigarro, dor na garganta, tosse crónica, dor no peito, falta de ar ou alterações do esmalte dos dentes são alguns dos sintomas da doença do refluxo gastro-esofágico”.
“A boa resposta ao tratamento é o método mais comum de confirmação do diagnóstico de DRGE”, diz. Entre os exames mais comuns para a confirmação do diagnóstico e avaliação da DRGE, estão a endoscopia digestiva alta, sendo a pHmetria esofágica e a impedância-pHmetria esofágica, precedidas da manometria esofágica de alta resolução. “De forma geral, os exames realizados para confirmar o diagnóstico de doença de refluxo gastro-esófagico são de fácil e rápida execução e bem tolerados pelo doente”, sublinha o responsável do Laboratório de Neurogastrenterologia e Motilidade Digestiva (CEDE) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa.
“Antes de iniciar o tratamento, o doente deve ser aconselhado a ter uma alimentação e hábitos de vida diários mais saudáveis. É aconselhada a redução do peso (caso se justifique), evitar o vestuário apertado, não dobrar-se nem deitar-se nas três horas seguintes às refeições e, caso os sintomas se evidenciem durante a noite, é aconselhável a elevação da cabeceira da cama. Alimentos como gorduras, chocolate, café, álcool e tabaco favorecem o aparecimento de sintomas”, adianta.
Quando estas soluções não melhoram os sintomas, Luís Novais explica que “o tratamento pode passar por fármacos inibidores da secreção ácida, sendo os mais eficazes e utilizados os inibidores da bomba de protões. Também podem ser associados antiácidos, protetores da mucosa, associações medicamentosas que neutralizam e impedem o refluxo, ou agem como barreira de defesa e proteção da mucosa gastroesofágica”.
As Sociedades Europeias, United European Gastroenterology (UEG), a European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE), a European Society of Neurogastroenterology and Motility (ESNM) e a World Gastroenterology Organization (WGO) elegeram, para 2015, a DRGE como o tema do Dia Mundial da Saúde Digestiva, que se assinala anualmente a 29 de maio.
A Semana Digestiva é um dos maiores eventos médico-científicos realizados em Portugal e o maior na área da Gastrenterologia. Na edição deste ano, que decorre até ao dia 13 de junho, são esperados mais de 850 profissionais de saúde, nacionais e estrangeiros, de diversas especialidades relacionadas com a Gastrenterologia.



















