“Morrem demasiados doentes desnecessariamente” foi uma das principais conclusões que resultaram do debate Parlamentar promovido pelo eurodeputado do Partido da Terra, José Inácio Faria, na qualidade de coanfitrião durante um almoço-debate subordinado ao tema “Managing healthcare costs: can patient safety be traded-off?”
Organizado pelo European Alliance for Access to Safe Medicines (EAASM), o evento procurou responder a questões sobre gestão de custos nos sistemas de saúde, a sua relação com a qualidade dos serviços prestados e a segurança dos doentes – problema que afeta não só Portugal como a generalidade dos Estados Membros.
De acordo com os participantes, apesar de todos os esforços para melhorar a segurança dos doentes em ambiente hospitalar, o número de eventos adversos permanece bastante elevado, entre 8% e 12% do total das admissões hospitalares, estimando-se metade poderiam ser evitados. Neste sentido, seria importante a aposta na adoção de uma cultura colaborativa entre profissionais de saúde e investir em meios tecnológicos adequados como por exemplo os registos médicos eletrónicos.
Segundo José Inácio Faria, “as pressões financeiras que se fazem sentir atualmente conduzem a decisões que são prejudiciais à segurança e bem-estar dos doentes”. Exemplificando com a proposta da Directiva Europeia sobre a transparência de custos e reembolso dos medicamentos para uso humano, que após enfrentar forte oposição por parte dos governos nacionais foi retirada pela Comissão Europeia, o eurodeputado português lamenta as consequências dessa decisão – que se traduz no atraso por parte dos doentes no acesso a medicamentos e terapias inovadoras.
O eurodeputado salienta, por outro lado, o papel do Parlamento Europeu, que tem em mãos a iniciativa onde afirma as suas propostas de acção a nível da União Europeia para combater a resistência a antibióticos, as infecções hospitalares e para proteger a segurança dos doentes. Após a aprovação por unanimidade na Comissão da Saúde Pública a proposta será votada em Plenário.
Este debate surge numa altura em que as restrições financeiras aplicadas no sector da saúde e a degradação da condição económica das famílias podem levar à provisão deficitária e tardia de cuidados de saúde ou a um aumento das iniquidades no acesso aos serviços de saúde.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou já para o facto da verdadeira dimensão deste problema, quer em termos de saúde pública quer económicos, só vir a ser sentida num futuro próximo.



















