A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) disse hoje que o hospital da Beira, centro de Moçambique, ficou “seriamente danificado” devido à passagem do ciclone Idai e avisou que as necessidades de higiene e água vão “continuar elevadas” nos próximos dias.
Em comunicado, a MSF informa que chega hoje à Beira uma equipa médica de emergência sua “para conduzir uma avaliação mais alargada sobre a extensão dos danos e necessidades” após a passagem do ciclone tropical, na quinta-feira passada.
“A principal preocupação da MSF é assegurar a continuidade do tratamento e acompanhamento nos centros médicos, enquanto nós antecipamos que as necessidades de água e de higiene vão permanecer elevadas nos próximos dias”, acrescenta-se na nota.
A organização refere que, “até ao momento”, as autoridades apontam para a existência de 84 mortos e pelo menos 1.500 feridos nas cidades da Beira, Dondo e Chimoio, mas as estimativas do Governo moçambicano referem a existência de um número de mortos em torno do milhar.
Noventa por cento da área em torno da cidade da Beira foi destruída, as estradas principais de acesso à cidade foram cortadas, muitos edifícios ficaram submersos, não há eletricidade em toda a região e praticamente todas as linhas de comunicação foram destruídas, o que torna muito difícil aceder à dimensão correta do desastre, segundo a organização médica.
O hospital da Beira ficou seriamente danificado e muito limitado nas suas funções, e todos os 17 centros médicos da cidade ficaram sem telhado, ainda segundo a MSF.
A organização adianta que as suas atividades médicas no hospital da Beira, centros de saúde e junto das comunidades “pararam completamente”, mas todos os funcionários locais encontram-se bem, “apesar de alguns ferimentos” e de a maioria ter sofrido “danos severos nas suas casas”.
No Zimbabué, o Idai atingiu o distrito de Chimanimani, na província de Manicaland, na passada sexta-feira, depois de passar por Moçambique. Várias estradas ficaram cortadas e o acesso a Chimanimani está a ser feito apenas através de helicóptero.
Chuvas intensas nos distritos de Chikwawa e Nzanje, junto ao rio Shire no Maláui provocaram inundações graves na região e as autoridades do país confirmam a existência de 56 mortes, 577 feridos e três desaparecidos.
No distrito de Nsanje, os rios ultrapassaram as margens em várias localidades, arrastando casas e deixando cerca de 11 mil pessoas desalojadas.
A MSF lançou uma equipa médica nesta região e ainda está a tentar chegar à zona mais afetada no Zimbabué.
A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué provocou pelo menos 222 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos na segunda-feira.
Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas pela tempestade naqueles três países africanos.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que o ciclone poderá ter provocado mais de mil mortos em Moçambique, estando confirmados atualmente 84.
Estimativas iniciais do Governo de Moçambique apontam para 600 mil pessoas afetadas, incluindo 260 mil crianças.
O ciclone, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora atingiu a Beira, a quarta maior cidade de Moçambique, na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes sem energia e linhas de comunicação.
No Maláui, as estimativas do Governo apontam para que tenham sido afetadas mais de 920 mil pessoas nos 14 distritos afetados, incluindo 460 mil crianças. Há registos de pelo menos 56 mortos e 577 feridos.
No Zimbabué, a avaliação das autoridades apontava para cerca de 1.600 casas e oito mil pessoas afetadas no distrito de Chimanimani, em Manicaland, com registos de 82 mortes e 217 pessoas desaparecidas.



















