A Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes (SPPI) associa-se à iniciativa da Federação Europeia de Periodontologia (EFP) com o objetivo de sensibilizar a população para a importância da saúde das gengivas ao longo da vida e para o impacto das doenças periodontais na saúde geral.
As doenças das gengivas continuam a ser extremamente frequentes e, na maioria das situações, evoluem de forma silenciosa e indolor, o que contribui para o seu subdiagnóstico. A gengivite pode afetar até nove em cada dez adultos, enquanto a periodontite, uma forma mais avançada da doença, afeta mais de metade da população adulta nas suas várias formas, sendo que cerca de 10 a 15% apresenta quadros graves.
A periodontite é uma doença inflamatória crónica que pode evoluir durante anos sem sintomas evidentes, conduzindo à destruição dos tecidos de suporte dos dentes e, em casos avançados, à sua perda.
Também nos doentes com implantes, a inflamação dos tecidos peri-implantares é comum: a mucosite peri-implantar pode atingir cerca de 40 a 50% dos portadores de implantes, e a peri-implantite aproximadamente 20%.
LIGAÇÃO À SAÚDE GERAL E SINAIS DE ALERTA
A saúde periodontal continua a ser subvalorizada, apesar de as doenças das gengivas e dos tecidos de suporte dos dentes terem um impacto muito relevante na saúde oral e na saúde geral. A periodontite é uma doença inflamatória crónica, muito frequente na população adulta, que pode evoluir silenciosamente durante anos e levar à perda de dentes se não for diagnosticada e tratada atempadamente. Além disso, a evidência científica demonstra que não deve ser vista apenas como um problema localizado na boca, estando associada a outras condições sistémicas importantes e partilhando com elas fatores de risco e mecanismos inflamatórios.
No contexto do Dia Europeu da Saúde Periodontal, a Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes reforça uma mensagem essencial para a população: gengivas saudáveis não sangram. Sinais como sangramento ao escovar, mau hálito persistente, recessão gengival, mobilidade dentária ou a sensação de dentes mais compridos não devem ser ignorados. A procura de avaliação médico-dentária perante estes sinais pode permitir um diagnóstico precoce e evitar consequências mais graves.
Honorato Vidal, presidente da Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes, destaca que “a doença periodontal continua a ser uma das condições crónicas mais prevalentes e, simultaneamente, mais subvalorizadas. O nosso objetivo é reforçar uma mensagem clara: a saúde das gengivas é parte integrante da saúde geral e deve ser encarada como uma prioridade ao longo de toda a vida.”
FATORES DE RISCO E DOENÇAS ASSOCIADAS
O tabaco constitui um dos mais importantes fatores de risco para a periodontite. Fumar aumenta a probabilidade de desenvolver doença periodontal, favorece formas mais graves, dificulta a cicatrização e reduz a resposta ao tratamento. Acresce que, nos fumadores, a inflamação pode ser menos evidente clinicamente, contribuindo para atrasar o diagnóstico.
Durante a gravidez, as alterações hormonais podem aumentar a resposta inflamatória das gengivas à placa bacteriana, tornando mais frequentes situações de gengivite e agravando problemas periodontais já existentes. Estudos científicos têm demonstrado associações entre doença periodontal e alguns desfechos adversos da gravidez, como parto pré-termo, baixo peso à nascença e pré-eclâmpsia. Assim, grávidas devem manter bons cuidados de higiene oral, não desvalorizar sinais inflamatórios e procurar acompanhamento médico-dentário sempre que necessário.
No caso da diabetes, a relação com a periodontite é uma das mais bem estabelecidas na medicina periodontal. Pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver doença periodontal e de ter formas mais graves, sobretudo quando o controlo metabólico é insuficiente. Por outro lado, a presença de periodontite associa-se a pior controlo glicémico, configurando uma relação bidirecional
Tem ainda aumentado a informação científica sobre a relação entre a periodontite e doenças autoimunes, particularmente a artrite reumatoide. Estas condições partilham mecanismos inflamatórios e imunológicos, e alguns estudos sugerem que se podem influenciar mutuamente.
A periodontite tem igualmente sido associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Esta associação deve ser interpretada no contexto multifatorial destas doenças, que são também influenciadas por fatores como tabaco, diabetes, hipertensão, obesidade e sedentarismo. A ligação biológica pode envolver a disseminação de bactérias e mediadores inflamatórios a partir dos tecidos gengivais para a circulação sistémica, contribuindo para processos inflamatórios e vasculares.
Higienização correta de implantes dentários
Os implantes dentários, embora constituam uma solução previsível e eficaz para substituir dentes perdidos, não estão isentos de complicações. Tal como nos dentes naturais, pode surgir inflamação dos tecidos circundantes, designadamente mucosite peri-implantar ou peri-implantite, que, se não forem tratadas atempadamente, podem comprometer a estabilidade do implante. As doenças peri-implantares estão frequentemente associadas à acumulação de biofilme bacteriano, sendo agravadas por fatores como higiene oral ineficiente, história de periodontite, tabagismo e diabetes mal controlada. Por isso, a colocação de implantes não dispensa cuidados contínuos. A manutenção regular, a vigilância profissional e a atenção a sinais como sangramento, inflamação ou mau hálito à volta do implante são fundamentais para garantir o sucesso do tratamento a longo prazo.
“A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado continuam a ser as ferramentas mais eficazes para combater as doenças das gengivas e promover uma melhor saúde oral e geral ao longo da vida”, finaliza Honorato Vidal.



















