O Centro Hospitalar do Oeste admitiu hoje recorrer ao serviço adicional de médicos para reduzir os elevados tempos de espera por consultas externas, apesar de considerar que os tempos médios divulgados pelo Serviço Nacional de Saúde possam estar inflacionados.
“Estamos a ponderar, assim como há adicional para a cirurgia, também haver para as consultas externas e recuperar os tempos de espera para estas consultas externas através dos recursos existentes”, disse hoje à Lusa António Curado, diretor Clínico do Centro Hospitalar do Oeste.
A possibilidade de solicitar aos médicos das diversas especialidades que “prestem um serviço adicional [ao horário de trabalho] mediante um regime de pagamento adicional” foi hoje apontada por António Curado como uma das “soluções para reduzir as listas de espera” para consultas no Hospital das Caldas da Rainha, onde nove especialidades registam tempos de espera muito superior ao definido por lei.
Oftalmologia – com uma espera média de 813 dias para os doentes muito prioritários e 832 dias para uma prioridade normal – é, segundo as tabelas reveladas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) a especialidade mais crítica.
Mas, Dermatologia (com uma espera média de 203 dias para doentes prioritários e 435 dias para os não prioritários), Otorrinolaringologia (com 223 dias de espera uma consulta não prioritária) e Neurologia (no Hospital de Torres Vedras, outra da unidades do Centro Hospitalar do Oeste – CHO, com 393 dias de espera) são outras das especialidades em que a administração reconhece “muitas dificuldades de resposta”.
Num encontro com jornalistas, a administração do CHO, defendeu que os números divulgados pela tutela “nem sempre estão corretos”, alegando poder haver “erros de integração entre os sistemas informáticos ou erros de processo administrativo de registo”.
Daí que o CHO tenha já dado instruções aos serviços de apoio à gestão para “contactar um a um os doentes em lista de espera” para as consultas externas, para averiguar “se já foram consultados por outra via e se têm o problema resolvido e já não precisam da consulta”, acrescentou António Curado.
Lembrando que “os doentes podem chegar à consulta por outras vias que não o pedido do médico de família”, o diretor clínico divulgou hoje exemplos de doentes que “já foram consultados após serem enviados pelo serviço de urgência ou outras especialidades” sem que tenha sido dado baixa do seu nome da lista de espera.
A par com a atualização da lista com os números exatos, que deverão ser comunicados à tutela até ao final de fevereiro, o CHO anunciou ainda ter dado “instruções a todos os diretores de serviço” para que “avaliem a prioridade dos doentes em lista de espera” e organizem a marcação de consultas em função dessa prioridade.
No encontro com os jornalistas, realizado hoje nas Caldas da Rainha, a presidente do conselho de administração do CHO, afirmou ainda que vai avançar com a contratação direta dos 240 trabalhadores precários em processo de integração nos quadros.
Desses, 180, até então contratados através da empresa Lowmargin, assinaram na quinta-feira contrato com o CHO e “com os restantes, de diferentes empresas e com diferentes contratos, será feito o mesmo procedimento”, afirmou a presidente do conselho de administração, Ana Paula Harfouche.
À Lusa aquela responsável não avançou datas para a abertura do concurso de integração dos trabalhadores, mas O Movimento dos Precários do CHO e o Bloco de Esquerda vão solicitar à administração uma reunião com caráter de urgência para definir a calendarização “ e esclarecer outras questões legais”, divulgou o deputado Heitor de Sousa.
O deputado que hoje reuniu com os trabalhadores sublinhou a necessidade de “esclarecimentos por parte da administração sobre o seu entendimento sobre o processo de integração” e “os contratos de transição que estão a ser assinados e que tem um fim claro, que é a sua integração efetiva nos quadros”, afirmou no final da reunião.
Heitor de Sousa defendeu ainda não haver “razão substantiva para atrasar os procedimentos de lançamento de concurso”, estimando que “até ao verão” os precários do CHO sejam todos integrados.
O CHO integra os hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, servindo uma população de 292.546 pessoas daqueles municípios e dos de Óbidos, Bombarral, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra.
A população abrangida é de 292.546 pessoas.



















