O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) brasileiro informou hoje que identificou substâncias tóxicas em oito produtos da Cervejeira Backer, num total de 21 lotes contaminados, que poderão ser responsáveis pela morte de três pessoas.
“O Mapa identificou a presença dos contaminantes monoetilenoglicol e dietilenoglicol em oito produtos da Cervejeira Backer”, afirmou a pasta da Agricultura na sua página na internet.
Foram encontradas substâncias tóxicas nas marcas Belorizontina, Capixaba, Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2, todas produzidas pela Backer, ainda de acordo com a tutela.
A polícia brasileira confirmou hoje a terceira morte devido à síndrome nefroneural, uma doença misteriosa que pode ter sido provocada por um componente tóxico em produtos vendidos pela empresa Backer.
Segundo a polícia civil de Minas Gerais, a terceira vítima foi um homem de 89 anos, morador em Belo Horizonte, capital do estado.
A primeira vítima mortal confirmada da síndrome nefroneural foi Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos. Na quarta-feira, as autoridades confirmaram uma segunda vítima mortal, um homem que não foi identificado.
Encontra-se ainda em investigação a morte de uma mulher com sintomas idênticos aos da síndrome, que ocorreu na cidade de Pompeu, em Minas Gerais, no final do ano passado.
O Governo brasileiro já tinha avançado na quarta-feira que a água utilizada pela Backer na produção de cervejas estava contaminada com uma substância tóxica, que poderá ser responsável pela morte daquelas pessoas.
“Análises realizadas pelo Mapa constataram a contaminação da água utilizada pela Backer na fabricação das suas cervejas”, adiantou a pasta da Agricultura, acrescentando que a contaminação aconteceu nas dependências da empresa.
Face à suspeita de que a “contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistémica”, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o ministério determinou a recolha de todos os produtos da cervejeira e a suspensão da fabricação, “pois outras marcas podem estar também contaminadas”.
O Ministério declarou que continua a tentar “identificar as circunstâncias em que os factos ocorreram” e a “tomar as medidas necessárias para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas”.
A empresa permanecerá fechada até que o Mapa considere haver “condições seguras de operação”, e os produtos apenas serão novamente comercializados mediante a análise e aprovação do Governo.



















