Cerca de quatro centenas de farmácias nacionais, encaminharam 4.577 utentes com risco moderado a muito alto de diabetes, para o seu médico de família. Esta referenciação decorreu no âmbito do Desafio Gulbenkian “NÃO à Diabetes!”, realizado entre 14 de novembro de 2017 e 1 de maio de 2018, com o objetivo de informar e prevenir o desenvolvimento da diabetes tipo 2, uma doença com custos importantes para o Serviço Nacional de Saúde.
A ação de rastreio envolveu 383 farmácias de 64 municípios, avaliando um total de 8.112 utentes. A referenciação de mais de metade dos portugueses examinados nesta campanha, deu origem a cerca de 2 mil consultas médicas. Foram diagnosticados 190 doentes que desconheciam ser diabéticos, traduzindo-se em 9,5% dos utentes com diabetes.
O método utilizado pelos farmacêuticos foi a avaliação de risco (Findrisk), com suporte tecnológico e a comunicação entre o sistema da farmácia (Sifarma) e a Plataforma de Dados em Saúde, do Ministério da Saúde. Os casos de risco mais elevado foram encaminhados para consulta médica nos cuidados de saúde primários.
Jorge Soares, Diretor do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Gulbenkian explica que “para o sucesso desta intervenção contribuíram dois fatores chave. O primeiro foi a eficácia do recrutamento e identificação das pessoas com risco de diabetes, através da colaboração excecional das farmácias para identificar os utentes, fazer-lhes o teste e encaminhá-los para os centros de saúde. O segundo fator foi a educação das pessoas para o futuro, com foco nos centros de saúde. O sucesso do desafio só foi possível graças ao alinhamento de vários parceiros: as autarquias, as farmácias como porta de entrada e os centros de saúde”.
O rastreio através da avaliação do risco de desenvolver a doença, mediante fatores como a obesidade, tabagismo ou antecedentes familiares é fundamental, porque a diabetes é assintomática no início, mas pode provocar lesões em diversos órgãos, como os rins, olhos e sistema vascular. “Uma diabetes não diagnosticada, não controlada, com um nível metabólico desregulado e elevados níveis de glicose no sangue, tem um maior risco de complicações e pode conduzir à morte” esclarece Adelaide Figueiredo, médica no Centro de Diabetologia do Hospital Distrital de Santarém.
O diagnóstico precoce da diabetes é importante para prevenir lesões e complicações associadas, como o enfarte do miocárdio, os acidentes vasculares cerebrais ou o pé diabético. Nesta área, as farmácias são um elemento essencial nos cuidados de saúde primários e na promoção de hábitos de vida saudáveis.


















