Mais dois funcionários do Governo norte-americano foram confirmados como vítimas dos ataques invisíveis em Cuba, elevando o total para 24, anunciaram hoje os Estados Unidos.
O balanço tem aumentado desde que as autoridades norte-americanas pela primeira vez revelaram, em agosto, que funcionários da embaixada do país em Havana e as respetivas famílias tinham sido alvo de problemas de saúde causados por incidentes misteriosos e ainda por esclarecer.
A administração Trump disse ter apurado que os incidentes eram “ataques específicos” que estão ainda em curso, mas os investigadores não identificaram até agora os meios utilizados ou os autores, considerando alguns especialistas que uma arma ultrassónica secreta ou um dispositivo de vigilância defeituoso poderão estar na origem do sucedido.
Dores de ouvidos e perda de audição, tonturas, dores de cabeça, fadiga, dificuldades cognitivas e dificuldade em dormir foram alguns dos sintomas relatados pelos funcionários entre finais de 2016 e agosto último.
A revelação de que 24 pessoas sofreram danos sugere que quase metade dos funcionários do Governo dos Estados Unidos de serviço em Cuba foi atacada.
Os Estados Unidos tinham cerca de 50 pessoas colocadas na embaixada em Havana até ao início deste mês quando, em resposta a esses ataques, o departamento de Estado retirou cerca de 60% do pessoal.
No entanto, algumas das vítimas foram as mulheres de funcionários norte-americanos, e vários eram trabalhadores temporários que estavam em rotação por Cuba por curtos períodos de tempo.
A porta-voz do departamento de Estado, Heather Nauert, disse que as duas vítimas adicionais “não são reflexo da existência de novos ataques”.
“Estas conclusões assentam em avaliações médicas do pessoal que foi afetado por incidentes anteriormente”, esclareceu.
Segundo a porta-voz, as autoridades continuam a crer que o mais recente ataque ocorreu perto do final de agosto.
“Os nossos funcionários diplomáticos estão a ser avaliados e a receber cuidados médicos. Não podemos excluir que haja outros novos casos enquanto os profissionais de saúde continuarem a avaliar membros do pessoal da embaixada”, explicou.
Os ataques começaram no ano passado e afetaram funcionários diplomáticos, agentes dos serviços secretos e as respetivas mulheres em Havana.
Começaram nas residências dos funcionários em Havana, mas posteriormente ocorreram também em hotéis – depois de Washington se ter queixado ao Governo do dirigente cubano, Raul Castro, e de este ter aumentado drasticamente as patrulhas policiais junto às residências dos funcionários.
Cuba negou veementemente qualquer conhecimento ou envolvimento nos ataques, enfatizando a sua vontade de cooperar com a investigação levada a cabo pelo FBI (polícia federal norte-americana).
Os Estados Unidos não acusaram Cuba ou qualquer outro ator de perpetrar os ataques, mas culparam o executivo de Castro de não conseguir pôr-lhes fim, argumentando que, segundo o direito internacional, é responsabilidade de Havana proteger diplomatas que se encontrem no seu território.
“Penso que Cuba é responsável. Realmente, penso isso. E é um tipo de ataque muito incomum, como sabem. Mas penso que Cuba é responsável”, disse o Presidente norte-americano, Donald Trump, na semana passada.
Este episódio surge numa altura em que as relações bilaterais entre Washington e Havana, restabelecidas em julho de 2015 durante a administração do Presidente Barack Obama (democrata) após um corte de mais de meio século, vivem um período de afastamento, fruto das novas políticas do ocupante republicano da Casa Branca.
Trump tem sérias reservas em relação a uma política de abertura com Cuba, apoia o embargo económico imposto à ilha e recusa-se a negociar com o Governo de Havana a menos que veja avanços democráticos naquele território.

















