A diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África anunciou hoje a redução da ajuda da instituição a São Tomé e Príncipe, prometendo ajudar o governo “a desenvolver uma estratégia” para encontrar financiamento de outros parceiros.
“São Tomé e Príncipe tornou-se um país de rendimento médio, o que significa que as ajudas vão diminuir. É preciso encontrar uma forma de fazer essa transição no que concerne aos doadores de financiamento externo. O país precisa ter um pouco mais de financiamento, por isso precisa continuar a mobilizar financiamentos domésticos ou de outros parceiros”, explicou Matshidiso Moeti.
A dirigente da OMS falava no final de uma visita de trabalho de dois dias a São Tomé e Príncipe, durante a qual reuniu-se com o primeiro-ministro Patrice Trovoada e duas vezes com a ministra da Saúde, Maria de Jesus Trovoada, a quem se manifestou disponível para ajudar a “desenvolver uma estratégia para financiar o setor da saúde”.
“Aqui em São Tomé o apoio sanitário às populações é gratuito e isso mostra a boa vontade das autoridades em se preocupar com a saúde dos seus cidadãos. Mas mesmo sendo gratuito, o governo paga por esses apoios”, referiu.
“O que a OMS pode fazer é apoiar o país a desenvolver uma estratégia de financiamento da saúde que possa permitir obter recursos para contribuir na melhoria dos cuidados de saúde à população”, sublinhou Matshidiso Moeti.
Referiu-se ao “estabelecendo de um mecanismo de segurança social que possa contribuir regularmente para que as pessoas tenham dinheiro para pagar os seus tratamentos”, avançando, contudo que “não se trata de pagar quando se vai ao hospital ou centro de saúde, mas encontrar um mecanismo onde as pessoas possam fazer coleta de forma previsível”, explicou.
A diretora regional da OMS deslocou-se a São Tomé para abordar com as autoridades assuntos ligados ao “reforço da parceria e construção de um secretariado regional com maior capacidade de resposta, mais eficaz e orientado para resultados, com vista a fazer avançar os esforços de cobertura universal de saúde e acelerar os progressos para alcançar os objetivos de desenvolvimento global”.
“Nos últimos anos São Tomé e Príncipe fez bastantes progressos relativamente à melhoria da saúde da população. Se olharmos para essas cifras, vemos alguns indicadores positivos, que seguimos na OMS, como por exemplo sobre algumas doenças transmissíveis como o paludismo, a Sida, a mortalidade materna”, salientou a dirigente da OMS, referindo ainda as melhorias na queda da mortalidade infantil e a cobertura vacinal.
São essas melhorias que levaram o país a subir para o escalão de rendimento médio, do que resultou obrigando a redução da ajuda por parte da Organização Mundial da Saúde.
Matshidiso Moeti manifestou-se, todavia, preocupada com outras “doenças emergentes” em são Tomé, e citou as doenças crónicas como a diabetes, a hipertensão, as crises cardíacas e cancro.
“São os novos desafios sobre os quais o país deve fazer face”, salientou, relacionando estas doenças com o fato do arquipélago ser “um país insular, vulnerável a mudanças climáticas e outros problemas ambientais”.



















