Cinco a dez por cento do financiamento dos hospitais devia ser faturado às seguradoras pelos serviços prestados no âmbito dos sinistros, mas esta cobrança “é difícil” e muitas vezes fica por fazer, segundo os administradores hospitalares.
Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), reconhece que “os hospitais têm tido uma grande dificuldade burocrática” em serem ressarcidos do valor aplicado ao tratamento de serviços cobertos por seguros.
Vítimas de acidentes de viação ou de trabalho são alguns dos exemplos de utentes que são atendidos nas urgências hospitalares, cabendo às seguradoras pagar a despesa dessa unidade de saúde.
Essa cobrança não se tem revelado fácil, de acordo com Alexandre Lourenço que reconhece a delicadeza da situação: “Muitas vezes existe alguma dificuldade em solicitar a apólice do seguro a um doente que chega ao hospital vítima de um acidente de viação e em estado critico”.
Com vista a acelerar esta cobrança, está a ser feito um trabalho entre os hospitais e o Instituto de Seguros de Portugal (ISP) no sentido de automatizar a faturação e o recurso ao fundo de garantia para obter as verbas necessárias à prestação de cuidados de saúde, explicou.
Sobre o montante em questão, Alexandre Lourenço disse que “depende do hospital”, mas que rondará entre os cinco a dez por cento do financiamento, o que é “considerável”.
Relativamente ao fim das taxas moderadoras, defendido por um grupo de figuras públicas e da vida política, Alexandre Lourenço referiu que estas representam um por cento do financiamento dos hospitais.
“Apesar de ser um valor muito reduzido no financiamento, num cenário de limitações orçamentais, um por cento é um valor considerável”, disse.
Os hospitais nada têm contra o fim das taxas moderadoras, “desde que exista ao nível do financiamento do orçamento do Estado aos hospitais, ao nível dos contrato-programa, um reforço das verbas que representará essa eliminação”.



















