Antigos governantes e profissionais de saúde associaram-se hoje numa cerimónia ao médico e antigo ministro da Saúde Paulo Mendo, a primeira homenagem pública como salientou o ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho.
“Homenagear Paulo Mendo é homenagear o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a democracia”, escreveu numa mensagem Fernando Araújo, doutorado em Medicina pela Universidade do Porto, atualmente secretário de Estado Adjunto e da Saúde.
A homenagem foi promovida pela Ordem dos Médicos (OM) e juntou antigos bastonários e ministros, médicos e professores, acontecendo no final de um debate na OM, em Lisboa, sobre a “Lei de Bases de Saúde”. A “Distinção Excelência” atribuída pela Ordem foi surpresa para o antigo ministro e teve a presença também de familiares.
“Até hoje não houve outra ocasião para uma homenagem pública”, salientou o ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho, que raramente tem surgido em cerimónias públicas.
Paulo Mendo “foi um investigador, um inovador, um grande professor e clínico e um servidor e um político destacado. Alguém que não perdeu a oportunidade para ajudar a mudar as coisas. O que temos hoje no SNS tem também a marca muito relevante de Paulo Mendo”, disse Passos Coelho.
Nas várias intervenções salientou-se por exemplo a autoria do primeiro decreto-lei das carreiras médicas, a importância que deu à humanização dos serviços de saúde, ou a criação da especialidade de neurorradiologia.
Paulo Mendo, de 85 anos, licenciou-se em medicina e exerceu nos hospitais de Santo António e São João, no Porto. Combatente da ditadura, foi preso, trabalhou em Marrocos e regressou a Portugal em 1974. Foi secretário de Estado por duas vezes e foi ministro da Saúde entre 1993 e 1995.
Esse percurso foi lembrado hoje pelo bastonário da OM, Miguel Guimarães, mas também pelos sindicalistas Roque da Cunha e Mário Jorge Neves, pela antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira ou pelo antigo diretor geral da Saúde Constantino Sakellarides,
O trabalho de Paulo Mendo foi ainda lembrado por Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, e por Castro Lopes, o neurologista que fundou a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, além de, entre outros, Augusto Goulão, do Colégio de Neurorradiologia, José Carlos Lopes Martins, secretário de Estado de Mendo, ou António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto.
A todos (Castro Lopes mandou mensagem em vídeo) a OM juntou em Lisboa para lembrarem que Paulo Mendo permitiu que os médicos privados pudessem passar receitas pelo SNS, que defendeu a valorização da medicina geral e familiar, que humanizou a relação médico-doente, que valorizou a qualidade assistencial.
A tudo respondeu Paulo Mendo que o que fez na vida foi com gosto e que as circunstâncias o rodearam de amigos. “Reconheço, na minha vida, que sempre fui capaz de não ter inimigos”, disse.



















