Os casos globais de cancro da próstata poderão quase duplicar até 2040, passando de cerca de 1,4 milhões para 2,9 milhões de diagnósticos anuais, segundo estimativas internacionais, num cenário impulsionado sobretudo pelo envelhecimento da população e pelo aumento da esperança média de vida.
Portugal, estima-se o surgimento de cerca de 7.500 novos casos por ano, refletindo o impacto crescente desta doença em saúde pública. O alerta é reforçado no mês de sensibilização para o cancro da próstata, com a plataforma digital prostata-hbp.pt a sublinhar a importância da deteção precoce e da valorização de sintomas frequentemente desvalorizados pelos homens, como a necessidade de urinar várias vezes durante a noite, muitas vezes atribuída apenas ao envelhecimento natural.
O cancro da próstata é atualmente o segundo tumor mais diagnosticado entre os homens a nível mundial, com mais de 1,4 milhões de novos casos por ano, sendo que se estima que um em cada seis homens venha a ser diagnosticado ao longo da vida. Especialistas alertam que a prevenção, o acompanhamento regular e o diagnóstico precoce continuam a ser fundamentais para reduzir o impacto da doença e aumentar as hipóteses de tratamento eficaz. Ainda assim, muitos homens continuam a adiar a ida ao médico, influenciados por fatores como o receio do diagnóstico, vergonha, estigma associado à saúde masculina e a tendência para desvalorizar sintomas urinários, frequentemente interpretados como consequência inevitável do envelhecimento.
“Recebemos demasiados doentes que atrasaram a avaliação por acreditarem que a ausência de dor significava ausência de doença”, refere o médico urologista José Santos Dias, sublinhando que o diagnóstico precoce continua a ser determinante para o prognóstico. Também a Associação Portuguesa dos Doentes da Próstata alerta para a necessidade de combater o estigma associado à doença, defendendo uma maior literacia em saúde e a normalização da procura de ajuda médica. Para o vice-presidente da associação, José Graça, “ir ao urologista não é um sinal de vulnerabilidade, é um ato de responsabilidade”.
Apesar de, numa fase inicial, o cancro da próstata poder não apresentar sintomas, existem sinais de alerta que devem ser valorizados quando persistentes, como a necessidade frequente de urinar, especialmente durante a noite, dificuldade em iniciar ou interromper a micção, jato urinário fraco ou interrompido, sensação de não esvaziar completamente a bexiga, ardor ou dor ao urinar, presença de sangue na urina, dor lombar ou pélvica persistente e, em fases mais avançadas, cansaço inexplicável e perda de peso. Os especialistas destacam ainda fatores de risco como idade superior a 50 anos, histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo e alterações genéticas hereditárias.
Quando diagnosticado precocemente, o cancro da próstata apresenta elevadas taxas de sobrevivência, reforçando a importância do acompanhamento regular e da realização de exames como o PSA e o toque retal. A plataforma prostata-hbp.pt, promovida pela Recordati Portugal, procura precisamente incentivar o diálogo sobre saúde masculina, disponibilizando informação acessível e ajudando a quebrar mitos e tabus associados à doença, defendendo que a consulta adiada pode fazer toda a diferença no momento do diagnóstico.
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