A sede da autoridade nacional do medicamento (Infarmed) vai ser mudada de Lisboa para o Porto, anunciou hoje o ministro da Saúde.
Segundo Adalberto Campos Fernandes, a instalação da sede do Infarmed no Porto ocorrerá a partir de 01 de janeiro de 2019.
O anúncio da transferência da sede do Infarmed para o Porto acontece um dia depois de a cidade ter sido afastada da corrida à sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA), tendo Amesterdão sido escolhida para o efeito.
Adalberto Campos Fernandes fez o anúncio durante o encerramento da VIII Conferência Anual do Health Cluster Portugal, que decorreu em Lisboa com o tema “Saúde em Portugal: construir consensos para 2020 e mais além”.
“A data fixada para a mudança é 1 de janeiro de 2019. Temos um ano para em conjunto com o Infarmed e a Câmara do Porto encontrar as melhores soluções que permitam que o Infarmed mantenha a sua atividade sem nenhum tipo de desarticulação”, afirmou o ministro em declarações aos jornalistas no final da conferência.
Lisboa vai manter um “polo regional” do Infarmed e a instalação no Porto será feita de forma progressiva.
Adalberto Campos Fernandes estima que dentro de dois ou três anos cerca de 70% dos recursos do Infarmed estarão instalados no Porto.
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, disse estar “satisfeito” com o Governo ter tomado hoje uma medida descentralizadora, ao anunciar que a sede do Infarmed se muda para o Porto em janeiro de 2019.
“Queria agradecer ao Governo por tomar esta decisão e dar nota de que nós, quando não estamos satisfeitos com modelos centralistas, também estamos satisfeitos e agradecemos quando se tomam medidas desta natureza”, declarou Rui Moreira em conferência de imprensa, minutos depois de o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, ter anunciado que a sede da autoridade nacional do medicamento (Infarmed) vai ser mudada de Lisboa para o Porto a 01 de janeiro de 2019.
Rui Moreira considerou que esta decisão é já um ”primeiro impacto do que foi a avaliação das condições que a cidade do Porto, e todo o seu ambiente competitivo, têm para atrair instituições desta natureza”.
“Acreditamos que isto pode ser muito significativo para a economia do Porto, para a economia da região, também para a indústria”, considerou o presidente da Câmara do Porto, garantindo que tudo fará para que o processo decorra da forma mais simples possível e recordando que o Porto entrou “tarde” para a “corrida para a EMA [Agência Europeia do Medicamento]”, mas que, mesmo assim, conseguiram “apresentar uma candidatura num tempo recorde”.
O anúncio da transferência da sede do Infarmed para o Porto acontece um dia depois de esta cidade ter sido afastado da corrida à sede da EMA, tendo Amesterdão sido escolhida para o efeito, facto que não deixou Rui Moreira satisfeito, como o admitiu hoje.
Questionado pelos jornalistas sobre se a vinda do Infarmed para o Porto foi uma contrapartida pela perda da EMA, Rui Moreira asseverou que “não houve negociações”.
“Este assunto de vez em quando foi abordado aqui e ali, como sabem. Este assunto foi-me a mim comunicado esta manhã, a única condição que foi posta pelo governo, foi naturalmente se o Porto estava interessada e se o Porto estaria em condições de garantir a instalação, no mais breve possível, de uma parte significativa dos serviços do Infarmed”, declarou, referindo que não será uma “sede formal” e garantindo ao Governo que podia contar com a Câmara do Porto.
O Infarmed tem cerca de 400 pessoas, mas Rui Moreira disse não saber quantas pessoas se deslocarão para o Porto.
O presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo, assinalou hoje que, com a anunciada deslocação da sede da autoridade nacional do medicamento para o Porto, a cidade pode tornar-se “na capital do medicamento”.
“Nós vemos com muito agrado essa notícia porque demonstra algum grau de preocupação do ministério [da Saúde] na descentralização dos órgãos de decisão da tutela”, afirmou à Lusa.
Para António Araújo, a deslocação da autoridade nacional do medicamento (Infarmed) para o Porto dará à cidade “um organismo que tem um número apreciável de profissionais” que ali irão centralizar “a decisão da utilização dos medicamentos e dos dispositivos médicos”.
Podendo vir a tornar-se na “capital do medicamento do país”, o Porto poderá ainda, graças ao Infarmed, captar “algumas sedes da indústria farmacêutica a médio e longo prazo e isso dará benefícios em termos económicos à cidade”, potenciando o seu desenvolvimento, assinalou o responsável.


















