Na 5ª Conferência TSF/AbbVie, que decorreu hoje no Centro Cultural de Belém, o destaque foi para a apresentação e discussão dos resultados referentes a 2015 do estudo desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), no âmbito do projeto europeu Saúde Sustentável.
O estudo demonstra que o investimento em saúde tem impacto no absentismo, produtividade, qualidade de vida e que dá origem a um retorno quer económico, quer social.
Foi também apresentado, pela primeira vez, o cálculo de um indicador de sustentabilidade do sistema de saúde, que integra aspetos ligados à qualidade, produção e financiamento e onde se demonstra que o investimento em saúde tem impacto socioeconómico.
No inquérito, feito a uma amostra da população portuguesa – 554 indivíduos com mais de 18 anos e residentes em Portugal – uma das principais novidades foi a inclusão de um novo dado relacionado com a avaliação do contributo do SNS para a redução do absentismo.
Por via dos cuidados de saúde que disponibiliza, o SNS contribuiu para diminuir em mais de 2 dias o número de faltas ao trabalho, o que representa uma poupança de 744 milhões de euros (em salários). O número médio de dias de falta ao trabalho apurado são mais de 5 dias (2,3% do tempo trabalhado), o que representa um prejuízo de 2 mil milhões de euros (em salários).
Caso não tivessem sido prestados cuidados de saúde o número médio de dias de falta ao trabalho ascenderia aos 7,6 dias, o que representaria um prejuízo de 2,7 mil milhões de euros.
Uma outra conclusão do estudo agora apresentado vem demonstrar que uma das principais razões para ausência dos inquiridos das unidades de saúde durante o ano de 2015 foram as taxas moderadoras.
Caso não existisse o pagamento de taxas moderadoras teria havido mais 2,8 milhões de consultas com médico de clínica geral ou médico de família num centro de saúde, mais 1,2 milhões de consultas externas ou de especialidade num hospital público, mais 1 milhão de exames de diagnóstico e mais 1,1 milhão de episódios de urgência.
“O estudo apresentado em 2016 revelou conclusões muito interessantes sobre a perceção dos portugueses relativamente ao SNS e sobre os pontos onde é possível melhorar. Contudo, penso que o dado mais relevante a destacar é que, pela primeira vez, conseguimos alcançar a criação de um indicador de sustentabilidade do SNS, que converge os vetores da qualidade, preço e atividade”, afirma Pedro Simões Coelho, diretor da Nova IMS e principal coordenador do Projeto Sustentabilidade na Saúde 3.0.
O professor catedrático sublinha ainda que “este projeto terá continuidade e esperamos que em 2017, para além de dados mais robustos relativamente à evolução do indicador de sustentabilidade, possamos também avaliar a qualidade técnica do SNS”.
Este estudo agora apresentado, que culmina na criação de um indicador que mede a sustentabilidade do SNS, vem no seguimento de um estudo mais abrangente que tem vindo a ser realizado ao longo dos últimos três anos e que teve como ponto de partida a obtenção de um indicador de retorno de investimento em saúde em Portugal (em 2014), que concluía que a despesa em saúde deve ser encarada como um investimento e não como um custo e que existe uma relação direta entre as áreas da Saúde e da Economia, uma vez que a redução do absentismo é um dos efeitos do investimento em saúde.
Em 2015 o estudo incidiu na avaliação das perceções dos utilizadores do Sistema Nacional de Saúde (SNS) face à qualidade, preço e eficácia do mesmo. Nesse sentido foi feito um inquérito a uma amostra da população portuguesa que permitia alimentar um novo modelo e produzir os primeiros índices de qualidade e eficácia do sistema. Possibilitou ainda quantificar novas dimensões ao nível dos resultados em saúde e a sua ligação à economia, tornando-se possível compreender melhor os impactos não económicos do investimento em saúde.
Entre os principais resultados comprovou-se que a qualidade percecionada pela população e os preços pagos no acesso ao SNS influenciam a confiança e a satisfação dos utilizadores, o que vai influenciar diretamente a eficácia do SNS e, consequentemente, contribuir para um melhor ou pior estado de saúde e qualidade de vida dos cidadãos.
Estiveram presentes na 5.ª Conferência TSF/AbbVie o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, José Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e Solidariedade Social, António Correia de Campos, antigo Ministro da Saúde, Pedro Mota Soares, deputado do CDS-PP, Pedro Simões Coelho, professor e investigador da Nova IMS, Isabel Vaz, CEO na Luz Saúde, Augusto Faustino, reumatologista e João Almeida Lopes, presidente da APIFARMA.


















