À luz do mais recente estudo epidemiológico desenvolvido no nosso país, 7,1% dos adultos portugueses têm asma, o que, segundo Pedro Carreiro Martins, “corresponde a cerca de 700.000 pessoas”. Nas crianças e adolescentes, a prevalência é ainda maior, situando-se nos 8%-9%.
Esta doença respiratória crónica tem impacto relevante em todas as idades. Apesar da existência de tratamentos eficazes, de acordo com o estudo Epi-Asthma, cerca de 70% dos doentes em Portugal não têm a asma controlada,o que significa que “continuam a apresentar sintomas, limitações no dia-a-dia, continuam a ter crises, a recorrer a serviços de urgência e a apresentar maior risco de internamento e de consumo de recursos de saúde”, sublinha o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.
A baixa adesão à terapêutica é um dos fatores apontados por Pedro Carreiro Martins como causa do mau controlo da asma e “muitos doentes utilizam a medicação apenas quando têm sintomas, em vez de manterem o tratamento preventivo de forma regular, o que compromete o controlo da inflamação subjacente à asma”.
A terapêutica anti-inflamatória inalada é parte essencial do tratamento da asma e, apesar de, em Portugal, se encontrarem disponíveis todas as terapêuticas recomendadas a nível internacional, incluindo medicamentos inovadores para as formas mais graves da doença, Pedro Carreiro Martins alerta para a “persistência de desafios no acesso efetivo, nomeadamente na equidade entre diferentes regiões, na referenciação atempada para cuidados especializados e na identificação precoce dos doentes que mais beneficiam destes tratamentos”.
Este foi, aliás, um problema reportado por Carlos Cortes. Numa breve intervenção, por ocasião da 24.ª Reunião da Primavera da SPAIC, realizada em Tomar, no passado dia 18 de abril, o Bastonário da Ordem dos Médicos assumiu o compromisso de, em conjunto com a SPAIC e com o Colégio de Imunoalergologia da Ordem dos Médicos, trabalhar na revisão da rede de referenciação e colaborar na luta pela mitigação das desigualdades regionais no acesso a consultas da especialidade e a tratamentos eficazes para os doentes asmáticos.
Sendo a asma uma doença crónica, que se caracteriza pela inflamação das vias respiratórias, o tratamento de base assenta na utilização regular da terapêutica anti-inflamatória inalada. Segundo Pedro Carreiro Martins, “este tratamento permite controlar a doença, reduzir sintomas e prevenir crises. A sua manutenção deve ser contínua e ajustada ao longo do tempo, de acordo com a evolução clínica, sob orientação médica”. O presidente da SPAIC sublinha ainda que a asma pode afetar de forma significativa a vida diária dos doentes, sobretudo quando não está bem controlada. Os sintomas, como a falta de ar, a pieira, a tosse e a sensação de aperto no peito, podem limitar atividades do dia a dia, como subir escadas, caminhar ou praticar exercício físico. É frequente também a interferência com o sono, levando a despertares noturnos e fadiga durante o dia.
“No contexto escolar e profissional, a asma pode traduzir-se em faltas frequentes, redução da produtividade e dificuldade de concentração. Em crianças e jovens, pode condicionar a participação em atividades físicas e sociais, com impacto no desenvolvimento e na integração”. Para além do impacto físico, “existe uma dimensão emocional, já que muitos doentes vivem com receio de crises súbitas, o que pode gerar ansiedade e insegurança. Em casos mais graves, a doença pode conduzir a isolamento social”.
Apesar dos avanços no tratamento, continuam a ocorrer mortes por asma em Portugal. Segundo o Observatório Nacional de Doenças Respiratórias, em 2024 morreram 34 doentes por asma no nosso pais. Importa sublinhar que, “com um diagnóstico adequado e um tratamento eficaz, a maioria destes impactos pode ser significativamente reduzida, permitindo aos doentes uma vida ativa”, reforça o médico imunoalergologista.
Para assinalar o Dia Mundial da Asma, a SPAIC preparou um conjunto de iniciativas de sensibilização dirigidas à população através de uma campanha digital.
Ao longo dos últimos anos, a Sociedade tem vindo a apostar na comunicação direta com a população através das suas redes sociais onde, durante todo o mês de maio, será disponibilizada informação sobre asma.


















