Angola registou, em 2017, o total de 16.000 casos de gravidez precoce, número que indica, todavia, uma tendência de redução desde 2013, disse hoje a diretora nacional de Saúde Pública, Isilda Neves.
Os dados foram avançados à imprensa no final de um encontro realizado hoje, em Luanda, entre adolescentes e autoridades governamentais que trabalham na defesa dos direitos das crianças, um ato promovido pelo Centro de Imprensa Aníbal de Melo.
Isilda Neves explicou que a redução se deve ao aumento, desde 1996, de políticas coordenadas entre os vários setores, nomeadamente nas áreas da educação, saúde, ação social, família e promoção da mulher e juventude, numa abordagem que visa a redução da mortalidade materna e, sobretudo, a gravidez na adolescência.
Segundo Isilda Neves, a preocupação é maior ainda relativamente às camadas baixas da população, sobretudo na área rural, pelo que é para esse extrato social que se têm estado a desenvolver esforços para melhorar a situação nas áreas menos protegidas.
Sobre a situação da gravidez precoce, o diretor clínico da Maternidade Lucrécia Paim, hospital de referência localizado em Luanda, capital de Angola, considerou o quadro “preocupante”, salientando que 27% do volume de assistência é virado para adolescentes grávidas.
Segundo Francisco Quinto, como única maternidade nacional, muitos desses casos de alto risco acabam por ir parar àquela unidade hospitalar, quer para atendimento de grávidas quer para assistência às complicações de gravidez.
“Temos uma ocorrência no banco de urgência numa média de 40 a 56 pacientes por dia, que são adolescentes que acorrem por diferentes razões. Nas complicações da gravidez na adolescência temos uma média diária de oito a nove casos”, informou o médico.
Francisco Quinto adiantou que as complicações mais frequentes são as derivadas do aborto, escapatória utilizada por muitas adolescentes quando diante dessa situação.
Como complicações do aborto, aquele responsável clínico, disse que estão as hemorragias e infeções, ambas letais.
“A nossa realidade é muito dura em todo o país. Nós, como instituição de referência, sentimos muito a sobrecarga que essa situação nos acarreta e também reconhecemos que é um problema que, para a sua minimização, requer a participação de toda a sociedade, começando em casa”, frisou.
Segundo o diretor clínico da Maternidade Lucrécia Paim, nos últimos meses, a maior parte das jovens tem entre os 14 e os 16 anos.



















