Os sindicatos médicos escreveram uma carta ao Governo a exigir a presença dos ministros da Saúde e das Finanças na próxima reunião negocial e antes da greve de três dias agendada para maio.
“Volvidos mais de dois anos e, apesar do esforço dos sindicatos médicos, não foi possível chegar a acordo quanto às matérias cuja responsabilidade é assacada ao Ministério das Finanças”, refere a carta datada de quinta-feira e a que a agência Lusa teve hoje acesso.
Os sindicatos querem a presença dos dois ministros na próxima reunião negocial e consideram que esta é “mais uma das iniciativas que os sindicatos propõem de boa fé e com todo o empenho antes da greve apontada para a primeira semana de maio”.
A greve prevista para os dias 8, 9 e 10 de maio será convocada conjuntamente pelos dois sindicatos médicos, Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e Sindicato Independente dos Médicos (SIM).
Entretanto, hoje a FNAM enviou para o Ministério da Saúde o pré-aviso da greve, recordando que o protesto está agendado face ao “impasse das negociações” com a tutela.
Em comunicado, a FNAM (Sindicato dos Médicos do Norte, Sindicato dos Médicos da Zona Centro e Sindicato dos Médicos da Zona Sul) refere que “são vários motivos que levam os médicos à greve”.
O SIM ainda não enviou o seu pré-aviso de greve, como confirmou a Lusa junto do secretário-geral, e tem até quarta-feira para o fazer, cumprindo os prazos legais.
SIM e FNAM pretendem que uma redução do “trabalho suplementar anual das atuais 200 horas para as 150 horas, em conformidade com a restante função pública, o limite de 12 horas de trabalho semanal em serviço de urgência e o reajustamento das listas de utentes dos médicos de família, de 1.900 para 1.550 utentes”.
Os médicos reivindicam ainda “o desencadeamento imediato do processo de revisão da carreira médica e das respetivas grelhas salariais, bem como o descongelamento imediato da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma”.
“O combate à existência de médicos indiferenciados, definindo um conjunto de medidas que garanta o acesso à formação médica especializada” é igualmente reivindicado por estes profissionais, “particularmente após a aprovação do regime jurídico do internato médico”.
A greve nacional marcada para 8, 9 e 10 de maio ficou decidida pelos dois sindicatos médicos em meados de março, após uma reunião do Fórum Médico, estrutura que reúne várias organizações médicas, entre as quais a Ordem dos Médicos.
A FNAM tinha inicialmente previstos três dias de greve para abril, mas os dois sindicatos decidiram convergir e agendar uma paralisação conjunta de três dias para maio.



















