A Ordem dos Médicos lamentou hoje que as fragilidades encontradas em 2015 no Hospital de Santarém se mantenham, considerando que há um “problema de organização e de falta de investimento no capital humano”, que o presidente da administração nega.
Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos (OM), visitou hoje o Hospital Distrital de Santarém (HDS) na companhia do secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, no âmbito de um “périplo por vários hospitais que têm problemas” e para “perceber como tinham evoluído os problemas” encontrados em 2015.
“Para nosso espanto, o Bloco [Operatório] continua fechado, continua em obras. Desde 2015 que há verbas e as obras ainda não terminaram. Isso faz com que o serviço faça menos cirurgia e que os doentes estejam a ser prejudicados”, disse Valentim Lourenço aos jornalistas.
José Josué, presidente do Conselho de Administração do HDS, disse à Lusa que, depois de um atraso inicial, as obras nos blocos operatórios decorrem “a bom ritmo”, prosseguindo um esforço de qualificação em infraestruturas e equipamentos da ordem dos 15 milhões de euros.
O dirigente do Conselho Regional Sul da OM apontou como “grave” o problema das “listas de espera de doentes de Ortopedia e de outras especialidades” e lamentou que a equipa de oito médicos de Ortopedia, já em 2015 considerada insuficiente para “formar tantos internos”, esteja agora com sete especialistas, deixando o serviço “pior do que estava, apesar de haver desafogo financeiro no país e de haver um clima aberto”.
José Josué reconheceu a dificuldade na contratação de especialistas, nomeadamente anestesistas e ortopedistas.
“Não existe oferta fora dos grandes centros e mesmo estes se queixam”, disse, sublinhando que, embora o HDS tenha de facto carência de médicos, tem vindo a aumentar os efetivos.
“Temos mais 12% de efetivos que há dois anos”, disse, salientando que o HDS tem atualmente mais 10 médicos do que nessa altura, um número ainda insuficiente para as necessidades, sobretudo em especialidades “críticas”, mas “ainda assim mais”.
O responsável regional da OM reconheceu que, muitas vezes, as verbas, mesmo já atribuídas, “não chegam aos hospitais”, deixando estes a trabalhar “a meio gás”, mas considerou “estranho” que haja “hospitais e serviços que resolvem estes problemas e outros que não o fazem”.
José Josué afirmou que o HDS tem aberto procedimentos para contratação, recrutando “todos os médicos que se têm disponibilizado”, mas que só oferece as condições que a lei lhe permite, desconhecendo que outras condições se possam oferecer que não sejam “por debaixo da mesa” e que ocorram “dentro da legalidade”.
Referindo o “ritmo descendente” que se regista “há alguns anos” no HDS, o responsável regional da OM afirmou que este hospital precisa de “alguém com visão” para que não fique “ao abrigo de intervenções de outros hospitais da região ou mesmo da medicina privada que se tem implementado onde há maior dificuldade do Serviço Nacional de Saúde”.
José Josué discorda desta “opinião” e remete para o “desempenho muito positivo” do HDS ao longo de todo o ano, nomeadamente no atendimento nas Urgências, serviço igualmente criticado pela OM pelo elevado número de médicos tarefeiros (mais de 50% do atendimento).
Valentim Lourenço afirmou que a Ordem vai ser “muito mais criteriosa” em relação às idoneidades para formação de internos, já que as recomendações feitas há dois anos continuam na maior parte por resolver, assegurando que não haverá interrupção abrupta, de forma a não prejudicar “o normal contínuo da capacidade de assistência aos doentes”, até pela importância do HDS e da falta de alternativas na região.
“Vamos fazer recomendações ao hospital, manter a vigilância e recomendar aos nossos colégios da especialidade que verifiquem corretamente se as condições de segurança dos doentes estão a ser cumpridas e se as capacidades de formar bons internos neste hospital são asseguradas”, disse, sublinhando que é igualmente necessário resolver o problema da colocação dos médicos que terminaram a especialidade, com a abertura de concursos.
Jorge Roque da Cunha criticou “a falta de liderança desta administração”, que, no seu entender, juntamente com os políticos da região, “tem obrigação de não deixar este hospital a continuar a definhar como tem definhado”.



















