O Dia Mundial da Obesidade, assinalado a 4 de março, volta a colocar no centro do debate uma doença crónica que afeta milhões de pessoas e que continua a ser frequentemente abordada de forma simplista. Apesar de ser muitas vezes associada apenas a hábitos alimentares ou sedentarismo, a obesidade resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, comportamentais e biológicos, onde o sistema hormonal assume um papel determinante.
As hormonas regulam funções essenciais do organismo, como o apetite, o metabolismo, a utilização de energia e o armazenamento de gordura. Alterações hormonais podem condicionar de forma significativa a evolução do peso corporal, tornando a perda de peso difícil ou mesmo inviável com estratégias convencionais. Desequilíbrios em hormonas como a insulina, o cortisol, a leptina ou as hormonas tiroideias estão associados a maior resistência à perda de gordura e a um risco acrescido de aumento de peso.
Na prática clínica, esta realidade ajuda a explicar porque pessoas com estilos de vida semelhantes podem apresentar respostas muito diferentes às mesmas estratégias de controlo de peso. A ausência de uma avaliação metabólica e hormonal aprofundada pode levar a abordagens ineficazes, ciclos repetidos de dietas e impacto negativo na saúde física e psicológica dos doentes.
Segundo a médica Marta Padilha, a obesidade deve ser encarada como uma condição que exige diagnóstico clínico e acompanhamento continuado. “A dificuldade em perder peso nem sempre está relacionada com falta de disciplina ou de motivação. Em muitos casos, existem desequilíbrios hormonais que precisam de ser identificados e tratados para que a intervenção seja eficaz”, explica.
A crescente evidência científica aponta para a necessidade de abordagens integradas e personalizadas na gestão da obesidade, que considerem não apenas a alimentação e a atividade física, mas também o funcionamento do sistema endócrino e metabólico. Esta perspetiva permite uma compreensão mais completa da doença e contribui para estratégias de intervenção mais ajustadas à realidade de cada pessoa.
No Dia Mundial da Obesidade, a Clínica Drª Marta Padilha reforça a importância de abandonar estigmas e simplificações, promovendo uma visão mais informada e baseada na ciência. Reconhecer o papel das hormonas na obesidade é um passo essencial para melhorar a eficácia das respostas clínicas e para apoiar quem vive com esta condição de forma mais justa e eficaz.



















