Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu microagulhas microscópicas inovadoras que poderão revolucionar as terapias regenerativas. Estas estruturas funcionam como plataformas para o transporte e entrega de células, aumentando a eficácia da sua fixação em locais de lesão.
Nos sistemas de terapia celular, garantir que as células chegam ao destino correto e permanecem aí tempo suficiente é essencial para o sucesso do tratamento. Para isso, utilizam-se sistemas de entrega celular, cujo desempenho depende fortemente de características como o tamanho, a forma e as propriedades da superfície. Estes fatores influenciam diretamente processos celulares importantes, como a adesão e a proliferação.
Neste estudo, os cientistas recorreram a uma abordagem de síntese “bottom-up” para criar microagulhas a partir de híbridos de polioxometalatos. Estas estruturas apresentam uma geometria alongada, semelhante a agulhas, com uma elevada relação superfície-volume — cerca do dobro de sistemas esféricos equivalentes — o que favorece significativamente a adesão celular.
Além disso, a sua forma facilita a retenção das células no local de aplicação, um aspeto crucial para aumentar a eficácia das terapias baseadas em células.
A investigação foi conduzida por Marta Maciel, José Silvares, Tiago Correia, Carlos Mendonça, Ana Martins, Eduardo Silva, Nuno Silva, Filipa Sousa e João Mano, investigadores do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro.
Os testes realizados revelaram uma elevada citocompatibilidade, na ordem dos 95%, permitindo a adesão espontânea das células mesmo na presença de outras superfícies aderentes.
Outra inovação relevante é a possibilidade de funcionalizar magneticamente a superfície das microagulhas. Esta característica permite controlar o seu movimento e orientação, bem como realizar rastreamento tridimensional e fixação em tecidos de bioengenharia, abrindo caminho para terapias celulares mais precisas e controladas.
O estudo destaca, assim, o potencial destas microestruturas como ferramentas promissoras na medicina regenerativa e na engenharia de tecidos — áreas onde a entrega eficaz e direcionada de células continua a ser um dos principais desafios científicos.

















