Cinco crianças portuguesas com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) iniciaram, este mês de abril, um tratamento experimental com células estaminais no âmbito de um programa europeu promovido pela Crioestaminal.
As primeiras três crianças, com idades entre os 5 e os 8 anos, deslocaram-se no dia 2 de abril, assinalado como Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo, ao University Children’s Hospital, onde receberam a infusão de células estaminais, estando as restantes duas com tratamento marcado para o dia 16 de abril na mesma unidade hospitalar.
Este programa de acesso alargado destina-se a crianças que tenham armazenado o seu próprio sangue do cordão umbilical na Crioestaminal ou em laboratórios do Grupo Famicord, desde que cumpram critérios clínicos específicos, permitindo o acesso a terapias inovadoras em áreas onde a medicina ainda apresenta limitações, como o autismo e a Paralisia Cerebral. Apesar de a utilização de células estaminais no tratamento do autismo ainda ser considerada experimental, o interesse científico tem vindo a aumentar, com base em estudos realizados por instituições como a Universidade de Duke, nos Estados Unidos, que investigam o uso de sangue do cordão umbilical autólogo.
Embora os resultados ainda não sejam conclusivos, algumas análises indicam possíveis melhorias ao nível da comunicação, atenção e função neurológica em determinados grupos de crianças. Os investigadores admitem que as células estaminais poderão contribuir para a regulação de processos inflamatórios no cérebro e para a melhoria da conectividade neuronal, sendo que estudos anteriores já demonstraram a segurança deste tipo de tratamento em crianças com lesões neurológicas.
Esta iniciativa resulta da colaboração entre o Grupo Famicord e um centro clínico em Lublin, tendo como objetivo transformar avanços científicos em aplicações clínicas concretas e oferecer às famílias uma nova possibilidade terapêutica. Atualmente, estima-se que o autismo afete cerca de 1 em cada 100 crianças a nível mundial, sendo mais frequente no sexo masculino, o que reforça a importância de continuar a investigar novas abordagens de tratamento.



















